Trump quer 'exorcizar' China da América Latina, diz Duque

O ex-presidente da Colômbia, Iván Duque, afirmou que uma possível vitória de Donald Trump nas eleições americanas levaria a uma tentativa de “exorcizar” a presença chinesa na América Latina. A análise foi feita em entrevista ao serviço em espanhol da BBC, a BBC News Mundo.

Segundo Duque, Trump adota uma visão de que a China é uma ameaça existencial aos interesses dos EUA. Por isso, um novo governo republicano adotaria uma postura de confronto direto para conter a influência de Pequim na região.

Essa abordagem contrasta com a do atual presidente, Joe Biden, que, na visão de Duque, foca em parcerias e na promoção de valores como democracia e direitos humanos. A política de Biden é descrita como menos transacional e mais alinhada a princípios.

O ex-presidente colombiano descreve a presença chinesa na América Latina como “positiva”. Ele destaca que o país asiático tem sido um importante investidor em áreas cruciais como infraestrutura, tecnologia e transição energética.

A China se tornou o principal ou segundo principal parceiro comercial de diversas nações latino-americanas. Entre elas estão Brasil, Chile, Peru e Uruguai, o que demonstra a profundidade dos laços econômicos estabelecidos.

Para Duque, os países da região não devem ser forçados a escolher um lado na disputa entre EUA e China. Ele defende uma política externa pragmática, que permita manter relações comerciais e diplomáticas com ambas as potências.

Oportunidades e Desafios Econômicos

Independentemente do resultado eleitoral nos EUA, Duque acredita que a América Latina pode se beneficiar do nearshoring. O termo se refere à tendência de empresas americanas transferirem suas cadeias de produção para países mais próximos.

Ele argumenta que a região está bem posicionada para atrair esses investimentos, mas precisa de mais apoio financeiro. Duque sugere que o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) deveria ter um papel mais ativo em financiar projetos de infraestrutura.

O ex-presidente ressalta que os EUA precisam aumentar seus investimentos na América Latina para competir com o capital chinês. A falta de financiamento americano, segundo ele, abre espaço para que a China expanda sua influência.

Críticas à Política Regional

Durante a entrevista, Iván Duque criticou duramente o atual presidente da Colômbia, Gustavo Petro. O principal alvo foi a reaproximação de Petro com o governo de Nicolás Maduro na Venezuela.

Duque acusa Petro de ser “brando” com o que chama de “a mais brutal das ditaduras” da região. Ele afirma que a postura do atual governo colombiano legitima um regime que cometeu crimes contra a humanidade.

Ao defender sua própria gestão (2018-2022), Duque mencionou que, apesar da pandemia, seu governo conseguiu reduzir a pobreza. Ele também destacou a criação de uma política de matrícula gratuita no ensino superior.

Ele afirmou que a Colômbia alcançou em 2021 o maior crescimento econômico de sua história e as maiores vendas de moradias. Os números foram apresentados como contraponto às críticas sobre seu desempenho na área de segurança.

Migração e Democracia

Sobre a crise migratória, Duque declarou que a solução não é a construção de muros. Ele defende uma política migratória abrangente, que combine controle de fronteiras com ações contra o crime organizado e a criação de vias legais para a migração.

O ex-líder colombiano expressou grande preocupação com o avanço de regimes autoritários na América Latina. Ele citou os casos de Venezuela, Nicarágua e Cuba como exemplos de “ditaduras” que ameaçam a estabilidade democrática regional.

Duque concluiu que a América Latina precisa de uma voz unificada para defender a democracia. Ele acredita que a complacência com regimes autoritários enfraquece a posição do continente no cenário global.

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