Uma nova rota de contrabando de ouro, que utiliza criptomoedas e empresas de fachada, foi identificada pela Polícia Federal. O esquema movimenta o metal extraído ilegalmente de Roraima para mercados internacionais como Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e Índia, aponta a investigação.
A estrutura criminosa foi alvo da Operação Hespérides, deflagrada em maio de 2024. As apurações revelam que o grupo usava a stablecoin USDT, lastreada em dólar, para realizar os pagamentos pelo ouro ilegal, dificultando o rastreamento financeiro pelas autoridades.
As investigações, iniciadas em 2023, partiram da apreensão de 10 kg de ouro com um empresário em Boa Vista. A análise de celulares e documentos levou a polícia a uma complexa rede que envolvia garimpeiros, transportadores e intermediários financeiros, conforme detalhado em um relatório da BBC Brasil.
O ouro era extraído de garimpos ilegais, incluindo a Terra Indígena Yanomami. Depois, era transportado para Boa Vista, onde recebia uma aparência de legalidade por meio de documentação fraudulenta, como a Permissão de Lavra Garimpeira (PLG), emitida em nome de laranjas.
Uma das empresas centrais no esquema é a F.D’Gold, sediada em Manaus. Segundo a PF, a empresa emitia notas fiscais fraudulentas para “esquentar” o ouro. A investigação aponta que a F.D’Gold movimentou mais de R$ 60 milhões em apenas um ano.
A F.D’Gold pertence a Dirceu Frederico Sobrinho, conhecido como “Dirceu da Gana Gold”, e sua sócia, Mércia de Nazaré. Dirceu também é presidente da Anoro (Associação Nacional do Ouro) e já foi alvo de outras investigações por comércio de ouro ilegal.
A defesa de Dirceu Sobrinho afirma que ele não tem envolvimento com os fatos da Operação Hespérides e que suas atividades são legais. A defesa de Mércia de Nazaré não foi localizada para comentar as acusações.
O esquema utilizava uma rede de empresas de fachada e contas bancárias em nome de terceiros para movimentar o dinheiro. Os pagamentos aos garimpeiros eram feitos com a criptomoeda USDT, transferida para carteiras digitais controladas por doleiros.
Após a legalização fraudulenta, o ouro era enviado para São Paulo. De lá, era exportado por empresas especializadas, que também são investigadas por suspeita de participação no esquema. Os principais destinos finais eram Índia e Dubai.
A investigação da PF também identificou a participação de outras empresas, como a Ourominas, que teria recebido ouro da F.D’Gold. A Ourominas negou qualquer irregularidade, afirmando que sempre exige documentação legal e que não foi alvo da operação.
A Gana Gold, outra empresa ligada a Dirceu Sobrinho, também foi citada. A empresa afirmou em nota que suas operações são legais e que Dirceu se afastou da administração em 2021. A Anoro não respondeu aos pedidos de comentário da reportagem original.
A Operação Hespérides cumpriu 48 mandados de busca e apreensão em Roraima, Amazonas, São Paulo e Goiás. A Justiça Federal determinou o bloqueio de R$ 118 milhões dos investigados e a suspensão das atividades econômicas das empresas envolvidas.
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