As ações da MRV (MRVE3) tiveram um dia volátil na B3. Os papéis iniciaram em alta de 3%, mas reverteram o movimento e fecharam em queda de 1,89%, cotados a R$ 10,40. A mudança ocorreu após a divulgação da prévia operacional do quarto trimestre de 2023 (4T23).
A construtora reportou um Valor Geral de Vendas (VGV) recorde, mas a queima de caixa e o desempenho de sua subsidiária nos EUA, a Resia, geraram preocupação entre os investidores e analistas de mercado.
Números Operacionais do 4T23
A MRV&Co atingiu um VGV total de R$ 5,46 bilhões no 4T23, um aumento de 34,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse foi o maior valor trimestral já registrado pela companhia.
Os lançamentos somaram R$ 3,3 bilhões, um crescimento de 21,1% na comparação anual. As vendas líquidas também apresentaram forte desempenho, alcançando R$ 4,3 bilhões, uma alta de 21,8%.
A Velocidade de Vendas (VSO) consolidada atingiu 25,1% no trimestre. A subsidiária americana Resia contribuiu com R$ 1,16 bilhão em VGV de vendas no período.
Um ponto de atenção foi o nível de distratos, que representou 16,5% das vendas brutas, um patamar considerado elevado por alguns analistas.
A Reação do Mercado: Do Otimismo à Cautela
Inicialmente, os números de vendas e lançamentos impulsionaram as ações. O VGV recorde sinalizava uma forte demanda e execução operacional. Contudo, a análise mais aprofundada dos dados mudou o humor do mercado.
A principal preocupação dos investidores se voltou para a geração de caixa da companhia. A expectativa é que a MRV continue apresentando queima de caixa, o que pressiona sua estrutura financeira.
A performance da Resia também foi um ponto central. A venda de apenas um projeto nos EUA durante o trimestre frustrou as expectativas de uma contribuição mais robusta para os resultados.
Visão dos Analistas de Mercado
A XP Investimentos destacou que, embora os números operacionais sejam fortes, o foco permanece na queima de caixa. A corretora projeta um consumo de caixa entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões no 4T23.
Para a XP, a geração de caixa positiva é o principal gatilho para uma reavaliação das ações da construtora. A recomendação foi mantida como neutra, com preço-alvo de R$ 11 por ação.
O Citi classificou os números como positivos, mas insuficientes para alterar a perspectiva sobre a empresa. O banco também aponta a geração de caixa como o fator decisivo para os investidores.
O Bradesco BBI seguiu a mesma linha, elogiando as vendas, mas ressaltando que o mercado está focado na queima de caixa. A projeção do banco é de um consumo de R$ 400 milhões no trimestre.
Desempenho da Resia e Perspectivas Futuras
O BTG Pactual considerou a prévia neutra, afirmando que os resultados vieram em linha com o esperado. O banco de investimentos acredita que o foco para 2024 será a rentabilidade e a geração de caixa.
O Itaú BBA chamou atenção para as vendas fracas da Resia, que vendeu apenas um empreendimento no 4T23. A performance da subsidiária é vista como crucial para o plano de negócios da MRV.
A Genial Investimentos também apontou a performance da Resia e os distratos elevados como pontos negativos da prévia. Apesar do VGV recorde, esses fatores pesaram na avaliação.
A expectativa do mercado é que a venda de mais ativos da Resia ao longo de 2024 seja fundamental para que a MRV consiga reverter a queima de caixa e fortalecer seu balanço financeiro.
📌 Leia mais: Veja todas as notícias sobre investimentos e mercado de capitais
📰 Fonte: Leia a matéria original
📱 Siga o FintechNode no Instagram para não perder nenhuma novidade do mercado financeiro!