O México se tornou o principal parceiro comercial dos Estados Unidos, superando a China. Esse movimento foi impulsionado pelas tarifas impostas pelo ex-presidente Donald Trump e pelo fenômeno conhecido como nearshoring, segundo análise da BBC.
Nos primeiros quatro meses do ano, o comércio entre México e EUA atingiu US$ 263 bilhões. Este valor representa 15,9% do total de bens que os EUA importaram e exportaram. A China, por sua vez, caiu para a segunda posição, seguida pelo Canadá.
O fator China
A mudança começou com a guerra comercial iniciada por Donald Trump em 2018. Foram aplicadas tarifas de 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio importados da China, além de outras sobretaxas que afetaram milhares de produtos chineses.
Essas medidas tornaram os produtos chineses mais caros para os consumidores americanos. O objetivo era proteger a indústria local e reequilibrar a balança comercial. A pandemia e a crise na cadeia de suprimentos global reforçaram essa tendência.
Empresas americanas passaram a buscar fornecedores mais próximos para evitar interrupções. Essa estratégia, chamada de nearshoring, favoreceu diretamente o México devido à sua proximidade geográfica e ao acordo de livre comércio T-MEC (USMCA em inglês).
O fator México
O T-MEC, que substituiu o Nafta, eliminou tarifas para a maioria dos produtos fabricados na América do Norte. Isso deu ao México uma vantagem competitiva significativa sobre a China para exportar para o mercado americano.
Larry Fink, CEO da gestora de investimentos BlackRock, destacou em 2023 que o nearshoring estava mudando a economia global. Ele apontou o México como um dos principais beneficiados por essa reorganização das cadeias de produção.
Apesar do cenário favorável, analistas apontam que o país não aproveitou totalmente a oportunidade. Gabriela Siller, do Banco Base, afirma que o governo de Andrés Manuel López Obrador não criou as condições ideais para atrair mais investimentos.
Os principais desafios citados são a insegurança, a incerteza no fornecimento de eletricidade, a escassez de água e a falta de um Estado de direito sólido. A China, por outro lado, tem aumentado seus investimentos no México para triangular exportações.
O teste decisivo
O futuro dessa vantagem mexicana enfrenta um teste crucial em 2026, quando o T-MEC será revisado. O resultado das eleições nos EUA também é um fator de incerteza, com a possibilidade de retorno de Trump e sua proposta de uma tarifa universal de 10%.
A nova presidente eleita do México, Claudia Sheinbaum, terá o desafio de fortalecer a posição do país. Para isso, precisará resolver gargalos internos e negociar a manutenção dos benefícios comerciais com os EUA, independentemente de quem esteja no poder.
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