Epstein e Chomsky: e-mails sobre Lula vêm à tona

E-mails obtidos pelo Wall Street Journal revelam uma troca de mensagens em 2018 entre o linguista Noam Chomsky e o financista Jeffrey Epstein. Na conversa, Chomsky descreveu o então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como “o prisioneiro político mais importante do mundo”.

A comunicação ocorreu em 30 de outubro de 2018, um dia após a eleição de Jair Bolsonaro. Na época, Lula estava preso em Curitiba, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, e foi impedido de concorrer à Presidência, conforme detalha uma reportagem da BBC.

Epstein questionou Chomsky sobre a situação de Lula. O linguista respondeu com a descrição sobre o status de Lula como prisioneiro político e mencionou que sua esposa, a brasileira Valeria Wasserman, havia acabado de retornar de uma visita a ele na prisão.

Chomsky, em declarações ao Wall Street Journal, confirmou a autenticidade do e-mail. Ele afirmou que a pergunta de Epstein era “retórica”, pois o financista já conhecia bem a sua opinião sobre o assunto, que era de conhecimento público.

O linguista já havia se manifestado publicamente sobre o caso, classificando a condenação de Lula como um “golpe brando”. Ele também visitou Lula na prisão em 2018, antes da troca de e-mails com Epstein.

Após receber a resposta de Chomsky, Epstein encaminhou o e-mail para Leon Botstein, reitor do Bard College. O financista adicionou o comentário: “Aqui está o prisioneiro político mais importante do mundo. Você pode apresentá-lo a…”, sem especificar a quem se referia.

Os e-mails fazem parte de um conjunto de documentos que revelam as conexões de Epstein após sua primeira condenação por crimes sexuais em 2008. Ele utilizava sua rede para manter influência e acesso a figuras proeminentes.

Chomsky admitiu ter se encontrado com Epstein. O primeiro encontro foi um jantar em 2015, organizado por amigos em comum. O segundo foi uma reunião no escritório de Chomsky no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) em 2016.

Segundo o linguista, os encontros foram para discutir “questões acadêmicas”, como a origem da linguagem. Ele afirmou que já conhecia as acusações contra Epstein, mas que o financista havia cumprido sua pena e, na época, não havia novas alegações.

A relação de Epstein com o MIT foi alvo de investigação. Relatórios indicam que o financista doou cerca de US$ 850 mil à instituição, mesmo após sua condenação. O escândalo levou à renúncia do diretor do Media Lab do MIT em 2019.

Os documentos também mostram que Epstein tentou intermediar o contato entre Chomsky e o cineasta Woody Allen. Chomsky relatou que a reunião foi solicitada por Epstein, mas nunca aconteceu.

Jeffrey Epstein foi preso novamente em 2019 sob acusações de tráfico sexual de menores. Ele morreu na prisão em agosto daquele ano, e a causa oficial foi registrada como suicídio.

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