EUA: 10% mais ricos já respondem por 48% de todo o consumo

A economia dos Estados Unidos apresenta uma crescente dependência dos gastos dos consumidores mais ricos. Essa concentração de consumo em uma pequena parcela da população torna o crescimento econômico do país mais vulnerável a oscilações, segundo o portal NeoFeed.

Dados revelam que os 10% dos americanos com maiores rendimentos foram responsáveis por 47,7% de todo o gasto em 2022. Este número representa um aumento significativo em relação aos 38,8% registrados em 2007, antes da crise financeira global.

A camada mais rica, o 1% do topo, também ampliou sua participação. Em 2022, esse grupo respondeu por 15,7% do consumo total, um salto considerável em comparação com os 10% de 2007.

Em contrapartida, a fatia de consumo dos 50% com menores rendimentos encolheu. A participação desse grupo caiu de 28,3% em 2007 para 25,7% em 2022, indicando uma retração no poder de compra da base da pirâmide.

Essa concentração de poder econômico é um risco, pois os gastos dos mais ricos são mais voláteis e discricionários. Uma queda no mercado de ações, por exemplo, poderia desencadear uma “richcession”, ou recessão dos ricos, com forte impacto na economia.

O consumo representa cerca de 70% da economia americana. A prosperidade do mercado de ações tem sido um motor para o consumo da elite, que detém a maior parte dos ativos financeiros.

Os 10% mais ricos dos americanos possuem 87% de todas as ações e fundos mútuos. A alta do índice S&P 500, que subiu 15% este ano, e do Nasdaq 100, com alta de 38%, beneficiou diretamente esse grupo.

Grande parte desses ganhos de mercado foi impulsionada por um pequeno grupo de empresas de tecnologia, conhecidas como as “Sete Magníficas”: Apple, Microsoft, Alphabet, Amazon, Nvidia, Tesla e Meta.

A riqueza do 1% mais rico cresceu US$ 1,9 trilhão somente este ano, impulsionada por esses ganhos no mercado de ações. Em média, os 10% mais ricos possuem cerca de US$ 1 milhão em ações.

Enquanto isso, a realidade para a metade mais pobre da população é diferente. Embora seu patrimônio líquido tenha crescido US$ 2,5 trilhões, esse valor é distribuído por um número muito maior de pessoas. A média de investimento em ações para este grupo é de apenas US$ 2 mil.

A situação financeira da classe média e baixa é mais frágil. A taxa de poupança pessoal está em 3,4%, bem abaixo da média de 8,8% registrada antes da pandemia. Muitos já esgotaram as economias acumuladas durante a crise sanitária.

O endividamento do consumidor atingiu um recorde de US$ 17,5 trilhões no quarto trimestre de 2023. A dívida de cartão de crédito também alcançou um pico histórico de US$ 1,13 trilhão.

As taxas de inadimplência em cartões de crédito e financiamentos de automóveis estão nos níveis mais altos em mais de uma década. Este cenário evidencia uma economia de “duas vias”, onde a prosperidade de poucos mascara as dificuldades de muitos.

A concentração de riqueza e renda é um fator central. O 1% mais rico detém 30,4% da riqueza do país e é responsável por 20,5% da renda nacional. Em contraste, os 50% mais pobres detêm apenas 2,6% da riqueza e 12,5% da renda.

Essa disparidade cria uma base frágil para o crescimento. A economia se torna excessivamente dependente do humor e da confiança de um pequeno grupo, cujas decisões de consumo podem ter um impacto desproporcional sobre o desempenho econômico geral.

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