embedded finance o que é
embedded finance o que é

Embedded finance, ou finanças embutidas, é a integração de serviços financeiros diretamente na jornada de compra de um produto ou serviço de uma empresa não-financeira. Na prática, significa que qualquer negócio, de uma varejista a um software de gestão, pode oferecer crédito, seguros ou contas digitais sem precisar se tornar um banco. A transação financeira deixa de ser um evento separado e se torna parte nativa da experiência do cliente.

O que é embedded finance na prática (e o que não é)

Embedded finance é a estratégia de integrar soluções financeiras de terceiros na infraestrutura de uma empresa que, originalmente, não pertence ao setor financeiro. Pense no iFood oferecendo crédito para restaurantes parceiros diretamente em sua plataforma ou na Magazine Luiza com seu carnê digital e conta de pagamentos. O serviço financeiro está “embutido” na jornada principal do usuário.

Essa abordagem é viabilizada por APIs (Interfaces de Programação de Aplicações) que conectam o sistema da empresa a uma instituição financeira ou a uma plataforma de Banking as a Service (BaaS). Essa conexão permite que a varejista, por exemplo, ofereça um financiamento no checkout que é, na verdade, operado e regulado por um banco parceiro nos bastidores.

Um erro frequente é pensar que embedded finance se resume a pagamentos. Embora a integração de gateways de pagamento tenha sido uma das primeiras manifestações, o conceito hoje é muito mais amplo. Ele abrange:

  • Crédito: Oferta de “Compre Agora, Pague Depois” (BNPL), crédito pessoal ou capital de giro para clientes e parceiros.
  • Seguros: Venda de seguros de garantia estendida, proteção de celular ou seguro de vida no momento da compra do produto principal.
  • Investimentos: Plataformas que permitem a aplicação em fundos de investimento diretamente de um software de gestão (ERP), como faz a TOTVS.
  • Banking: Contas digitais, cartões de débito e crédito com a marca da empresa não-financeira.

No dia a dia de uma empresa de médio porte, isso significa que, em vez de direcionar seu cliente para o site de um banco para obter um financiamento, ela pode oferecer essa opção dentro do seu próprio ambiente digital, mantendo o cliente em seu fluxo e capturando dados valiosos sobre seu comportamento.

Como empresas não-financeiras integram esses serviços?

A mágica por trás das finanças embutidas não está na empresa se tornar uma instituição financeira, mas em sua capacidade de se conectar a quem já é. O processo geralmente segue uma arquitetura baseada em tecnologia e parcerias estratégicas. A peça central é o já mencionado modelo de Banking as a Service (BaaS).

Funciona assim: provedores de BaaS, como as brasileiras Dock ou Celcoin, desenvolvem toda a infraestrutura tecnológica e regulatória necessária para operar produtos financeiros. Elas detêm as licenças do Banco Central do Brasil ou têm parcerias com instituições que as possuem. Em seguida, “fatiam” essa infraestrutura em APIs que podem ser consumidas por qualquer outra empresa.

Imagine uma varejista de moda que, em seu aplicativo, deseja oferecer um cartão de crédito com sua marca. Em vez de passar pelo longo e custoso processo de obter uma licença bancária, ela contrata um provedor de BaaS. Por meio de APIs, ela integra em seu app as funcionalidades de solicitação de cartão, consulta de fatura e pagamento, tudo com sua identidade visual. Para o cliente final, a experiência é 100% da varejista, mas a operação de crédito e a conformidade regulatória são responsabilidade do parceiro tecnológico.

Segundo analistas de tecnologia financeira ouvidos pela redação, a ascensão do BaaS foi o principal catalisador para a popularização do embedded finance no Brasil. A regulação do Open Finance, promovida pelo Banco Central, também acelerou o processo ao padronizar a troca de informações entre instituições, tornando as integrações mais seguras e eficientes.

Vantagens estratégicas além da nova receita

A primeira vantagem que vem à mente é a criação de uma nova linha de receita. Uma empresa que oferece crédito na venda de seus produtos pode ganhar tanto na taxa de juros quanto no aumento do ticket médio. No entanto, os benefícios estratégicos são mais profundos e duradouros.

O principal ganho é o aumento da retenção de clientes e do chamado Lifetime Value (LTV). Ao oferecer uma solução financeira no momento exato da necessidade do cliente, a empresa remove atritos e fortalece o relacionamento. Um cliente que financia uma compra, contrata um seguro e usa a conta digital de uma mesma marca está muito mais engajado e menos propenso a migrar para um concorrente.

Outro ponto fundamental é a coleta de dados. A transação financeira gera uma quantidade imensa de informações sobre o comportamento e a saúde financeira do cliente. Se você já tentou entender o perfil do seu público, sabe o valor disso. Esses dados, tratados em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), permitem ofertas mais personalizadas, melhores análises de crédito e o desenvolvimento de novos produtos.

De acordo com um relatório da consultoria McKinsey, o mercado global de embedded finance tem o potencial de atingir um valor de mercado de US$ 7 trilhões, o dobro do valor combinado dos 30 maiores bancos do mundo hoje. Isso demonstra que o mercado não vê isso como um nicho, mas como uma redefinição fundamental da distribuição de serviços financeiros.

Riscos e desafios regulatórios no Brasil

Apesar do enorme potencial, a implementação de finanças embutidas não é isenta de desafios, especialmente no complexo ambiente regulatório brasileiro. O principal ponto de atenção é a conformidade. A oferta de crédito, seguros ou investimentos é uma atividade regulada pelo Banco Central, SUSEP e CVM, respectivamente.

A empresa não-financeira que “embuti” o serviço não assume diretamente a responsabilidade regulatória, que permanece com a instituição licenciada parceira (o provedor de BaaS ou o banco por trás dele). Contudo, ela se torna corresponsável pela experiência do cliente e pela segurança dos dados. Uma falha na plataforma do parceiro pode gerar um dano reputacional imenso para a marca que está na linha de frente.

Aviso prático: embarcar em finanças embutidas sem uma diligência rigorosa do parceiro tecnológico e regulatório é um risco jurídico e de compliance. É essencial verificar as licenças do parceiro, sua robustez em segurança da informação e sua adequação às normas do Banco Central, como as relacionadas à prevenção à lavagem de dinheiro (PLD) e ao financiamento do terrorismo (FT).

Outro desafio é a complexidade técnica. A integração via APIs exige uma equipe de tecnologia qualificada. Embora os provedores de BaaS facilitem o processo, a responsabilidade de manter a jornada do usuário fluida e segura recai sobre a empresa que contrata o serviço. Qualquer falha na integração pode resultar em uma experiência de cliente frustrante, anulando os benefícios de retenção.

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