Haniya al-Halees, uma palestina de 71 anos, desembarcou em São Paulo após ser resgatada da Faixa de Gaza. O momento marcou o primeiro encontro com seu neto brasileiro, Khaled, de 1 ano e 8 meses, conforme noticiado pela BBC News Brasil.
O filho de Haniya, Hasan Rabee, vive no Brasil desde 2014 como refugiado. Ele, sua esposa Rowan e o filho Khaled conseguiram deixar Gaza em 12 de novembro, em um dos primeiros grupos de repatriados pelo governo brasileiro. Haniya, no entanto, permaneceu na região.
Hasan relata que, após a partida de sua família, a comunicação com sua mãe se tornou extremamente difícil devido aos constantes cortes de internet e eletricidade. Ele passava dias sem notícias, uma situação que descreveu como “os piores dias da minha vida”.
A família de Hasan vivia no norte de Gaza e precisou se deslocar para o sul, para a cidade de Rafah, na fronteira com o Egito. A viagem, normalmente de 40 minutos, levou sete horas devido às condições da guerra. Eles se abrigaram na casa de parentes.
Haniya al-Halees conseguiu ser incluída em uma lista de repatriação posterior. Ela viajou de ônibus de Rafah até o Cairo, no Egito, um trajeto que durou cerca de 12 horas. Do Cairo, embarcou em um voo para São Paulo, com escala em Doha, no Catar.
Ao chegar ao Aeroporto de Guarulhos, Haniya finalmente conheceu o neto Khaled. “Eu pedia a Deus que me desse mais tempo de vida para vê-lo”, afirmou ela. O encontro foi um momento de grande emoção para a família reunida.
Hasan chegou ao Brasil em 2014, aos 24 anos, em busca de melhores condições de vida. Ele se estabeleceu em São Paulo, onde aprendeu português e começou a trabalhar com tecidos na região da rua 25 de Março. Posteriormente, abriu sua própria loja de roupas.
Ele conheceu sua esposa, Rowan, também palestina, pela internet. Eles se casaram em Gaza em 2018. Hasan viajava anualmente para visitar a família, mas a pandemia e o nascimento de Khaled em 2022 adiaram seus planos de trazer a esposa e o filho para o Brasil.
A família planejava a vinda para o Brasil em 2023, mas o início do conflito em 7 de outubro alterou drasticamente a situação. A inclusão de Rowan e Khaled na lista de repatriados foi possível porque ela tem um avô brasileiro, o que garantiu a cidadania.
Hasan, por não ter cidadania brasileira, inicialmente não pôde ser incluído na lista. Sua situação foi resolvida após intervenção do Itamaraty, que o considerou parte do núcleo familiar de um cidadão brasileiro, seu filho Khaled. O processo foi acompanhado pela Embaixada do Brasil no Cairo.
A família de Haniya permanece em Gaza, incluindo seu marido, outros filhos e netos. A comunicação com eles é esporádica e difícil. Hasan expressa constante preocupação com a segurança de seus parentes que continuam na zona de conflito.
Agora reunida em São Paulo, a família busca se adaptar à nova realidade. Haniya está se acostumando ao clima e à cultura brasileira, enquanto Hasan e Rowan focam em proporcionar um ambiente seguro para o pequeno Khaled, longe do conflito que deixaram para trás.
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