Artur Wichmann, CIO da XP Private, projeta uma “tempestade perfeita” de volatilidade para 2026. Ele recomenda ouro como proteção, mas classifica o Bitcoin como uma “incógnita” para o período, segundo análise feita durante o evento Expert XP 2024.
O cenário, apelidado por ele de “Great Reset”, combina fatores de risco globais e locais. Um dos principais gatilhos é o fim de importantes cortes de impostos nos Estados Unidos, que foram assinados por Donald Trump e expiram em 2025.
A situação fiscal americana é outro ponto de atenção. A dívida pública do país já ultrapassa 120% do Produto Interno Bruto (PIB), o que aumenta a pressão sobre a economia global e eleva a percepção de risco nos mercados financeiros.
Wichmann aponta que os desafios fiscais do Brasil se somam a este complexo panorama internacional. Essa combinação de fatores deve ampliar a instabilidade e exigir maior cautela por parte dos investidores nos próximos anos.
Para navegar neste ambiente, o CIO da XP Private defende o investimento em ativos de proteção tradicionais. Ele destaca que o ouro e o dólar continuam sendo os principais hedges para a carteira em momentos de grande incerteza.
Em relação ao Bitcoin, a visão é de cautela. Wichmann o descreve como uma “incógnita”, pois o criptoativo ainda não foi testado em um cenário de crise global profunda. Sua performance como reserva de valor em uma recessão severa é incerta.
Por essa razão, ele não recomenda a alocação em Bitcoin para investidores de perfil conservador. A falta de um histórico consolidado em crises torna o ativo uma aposta de maior risco, conforme detalhado pelo portal InfoMoney.
No mercado brasileiro, a recomendação é de prudência com a renda variável. O especialista afirma preferir a segurança da renda fixa diante da volatilidade esperada, sugerindo uma postura mais defensiva para os portfólios locais.
Apesar da cautela, Wichmann identifica oportunidades pontuais na bolsa. Empresas exportadoras, como Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4), podem se beneficiar de uma eventual valorização do dólar frente ao real.
Outro setor que pode apresentar resiliência é o de companhias com receitas atreladas à inflação. Negócios nos segmentos de energia elétrica e saneamento são citados como exemplos de investimentos potencialmente mais seguros nesse contexto.
Ele mencionou especificamente estatais como Sabesp (SBSP3) e Copasa (CSMG3). O interesse nessas empresas está ligado às discussões sobre possíveis processos de privatização, que podem destravar valor para os acionistas.
O cenário macroeconômico dos EUA também foi abordado, com foco na inflação e na política de juros do Federal Reserve (Fed). Embora o mercado espere cortes, Wichmann adota um tom mais cético em relação às futuras decisões da autoridade monetária.
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