Viúvas ucranianas lutam por indenização de US$ 370 mil

Viúvas de soldados ucranianos que cometeram suicídio enfrentam uma batalha legal para obter uma indenização do governo. A compensação, avaliada em 15 milhões de hryvnias (cerca de US$ 370 mil), é frequentemente negada por o Estado não classificar essas mortes como relacionadas ao serviço militar.

O caso de Iryna Nyzhnyk exemplifica a situação. Seu marido, Valeriy Nyzhnyk, um morteirista da 93ª Brigada Mecanizada Kholodnyi Yar, serviu perto da linha de frente em Bakhmut. Ele tirou a própria vida em 31 de dezembro de 2022, durante uma curta licença.

Após a morte de Valeriy, uma investigação oficial concluiu que o ocorrido não estava relacionado ao serviço militar. Com base nesse parecer, o pedido de indenização de Iryna foi negado, deixando-a sem o apoio financeiro previsto para famílias de soldados mortos em combate.

Segundo a reportagem da BBC, a legislação ucraniana prevê o pagamento para famílias de militares mortos. Contudo, a indenização não é concedida se a morte for resultado de intoxicação por álcool ou drogas, crime ou autolesão intencional.

Advogados e ativistas argumentam que o suicídio motivado pelo estresse e trauma de combate deveria ser considerado uma consequência direta do serviço militar. A ONG Principle, que apoia militares e suas famílias, está auxiliando Iryna em sua disputa judicial.

Olena Belyaeva, advogada da Principle, afirma que provar a ligação entre o serviço militar e o suicídio é um desafio significativo. A organização trabalha para que essas mortes sejam devidamente investigadas e reconhecidas como baixas de combate.

O número de suicídios nas forças armadas da Ucrânia é classificado como segredo de Estado, o que dificulta a mensuração da real dimensão do problema. O Ministério da Defesa do país não respondeu aos pedidos de comentários da reportagem original.

O psicólogo militar Andriy Kozinchuk destaca a imensa pressão psicológica sobre os soldados. Ele aponta que muitos estão exaustos após mais de dois anos de combates intensos, mas uma “cultura de heroísmo” impede que busquem ajuda para problemas de saúde mental.

Kozinchuk explica que o esgotamento e a exposição constante a situações de vida ou morte podem levar a um colapso mental. A falta de apoio psicológico adequado agrava o quadro, resultando em consequências trágicas como o suicídio.

O amigo de Valeriy, Maksym Kozochka, que serviu com ele, relata que o colega parecia deprimido e sobrecarregado. Ele descreve o ambiente no front como extremamente desgastante, com bombardeios constantes e a perda de companheiros.

A lei ucraniana não menciona explicitamente o suicídio como um motivo para a negação da indenização, criando uma zona cinzenta legal. A defesa das viúvas se baseia no argumento de que o suicídio foi uma consequência direta das condições do serviço militar.

Para Iryna Nyzhnyk, a batalha judicial vai além do dinheiro. Ela busca o reconhecimento de que o serviço militar levou seu marido à morte, garantindo a honra de seu sacrifício e a segurança financeira de seu filho de nove anos, Matviy.

O caso de Iryna e de outras mulheres na mesma situação expõe uma complexa intersecção entre legislação, saúde mental e as consequências financeiras da guerra para as famílias que perdem seus entes queridos em circunstâncias trágicas e não reconhecidas oficialmente.

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