Ucrânia: Viúvas de soldados lutam por R$ 2 milhões negados

Viúvas de soldados ucranianos que morreram por suicídio enfrentam uma batalha legal para obter reconhecimento e uma compensação financeira do Estado. O governo frequentemente nega os pagamentos, alegando que as mortes não estão diretamente ligadas ao serviço militar, gerando disputas judiciais.

A indenização em questão é de 15 milhões de hryvnias, o equivalente a cerca de R$ 2 milhões. Este valor é destinado às famílias de militares cuja morte está comprovadamente relacionada ao cumprimento de seus deveres, conforme detalhado em uma reportagem da BBC.

O caso de Yulia Vorona exemplifica a situação. Seu marido, Oleksandr Vorona, serviu no exército por 10 anos e lutou em batalhas intensas como a de Bakhmut. Ele tirou a própria vida em casa, durante uma licença, após apresentar sinais de trauma de guerra.

Inicialmente, uma investigação militar interna concluiu que a morte de Oleksandr não estava relacionada ao seu serviço. Com essa decisão, Yulia e seu filho foram deixados sem a compensação financeira, o que a levou a contestar o veredito nos tribunais.

O psicólogo militar Andriy Kozinchuk aponta que muitos comandantes não compreendem transtornos como o estresse pós-traumático (TEPT). Segundo ele, há uma tendência de ver o suicídio como uma escolha pessoal ou um ato de fraqueza, e não como uma consequência direta do trauma de combate.

Essa percepção dificulta o reconhecimento oficial de que a saúde mental deteriorada de um soldado é uma ferida de guerra. Para muitos oficiais, a ligação entre o serviço e o suicídio não é considerada direta, o que resulta na negação dos benefícios para as famílias.

A ONG Principle, que oferece assistência jurídica a militares e suas famílias, está atuando nesses casos. A advogada da organização, Oksana Surnytska, afirma que o número de famílias que buscam ajuda em situações semelhantes é “enorme”, indicando um problema sistêmico.

Um precedente favorável, no entanto, surgiu com o caso de Valeriia Kyseliova. Seu marido, Borys, também morreu por suicídio após retornar do front. A morte foi inicialmente classificada como não relacionada ao serviço militar, negando à família a compensação.

Valeriia lutou na justiça por um ano e conseguiu uma vitória. Um tribunal ordenou que a unidade militar de seu marido reavaliasse o caso, reconhecendo a necessidade de uma análise mais aprofundada da ligação entre o trauma de guerra e sua morte.

Apesar da vitória de Valeriia, o processo é longo e desgastante para as famílias que já lidam com o luto. A decisão do tribunal não garante o pagamento imediato, apenas força uma nova investigação por parte dos militares, que pode ter diferentes desfechos.

O problema do suicídio entre soldados não é recente na Ucrânia. Ele tem sido uma preocupação crescente desde o início do conflito no leste do país, em 2014. A invasão em grande escala intensificou a pressão sobre a saúde mental dos combatentes.

O Ministério da Defesa da Ucrânia foi contatado pela reportagem original para comentar sobre as políticas de compensação e o tratamento de casos de suicídio, mas não forneceu uma resposta até a publicação.

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