O Brasil registrou uma receita recorde de R$34,5 bilhões (US$6,9 bilhões) com turistas estrangeiros em 2023. Este valor supera o recorde anterior de 2014, ano da Copa do Mundo, mas o número de visitantes ainda não retornou ao nível pré-pandemia.
Em 2023, o país recebeu 5,9 milhões de turistas, um aumento de 62,7% em relação a 2022. Contudo, o número ainda está abaixo dos 6,3 milhões de visitantes registrados em 2019, antes da pandemia de Covid-19, segundo dados da Embratur e do Banco Central.
Receita recorde e recuperação do setor
A receita de R$34,5 bilhões em 2023 representa um aumento de 41% em relação a 2022, quando o valor foi de R$24,5 bilhões. O montante também ultrapassa os R$33,4 bilhões (US$6,8 bilhões) de 2014, um recorde nominal que não considera a inflação do período.
O presidente da Embratur, Marcelo Freixo, atribui o resultado à retomada da malha aérea internacional, que está em 80% da capacidade de 2019. Ele também mencionou a percepção de um Brasil mais aberto e sustentável no cenário internacional.
O câmbio favorável aos estrangeiros é outro fator que impulsionou os gastos no país. Com o dólar e o euro valorizados frente ao real, o poder de compra dos visitantes aumentou, incentivando o consumo em território brasileiro.
O debate sobre a isenção de vistos
A política de vistos para turistas de países como Estados Unidos, Canadá e Austrália gerou debates. Em 2019, o governo de Jair Bolsonaro isentou unilateralmente esses países da necessidade de visto para impulsionar o turismo.
A gestão atual decidiu retomar a exigência, baseando-se no princípio da reciprocidade diplomática, já que brasileiros precisam de visto para entrar nesses países. A medida, que entraria em vigor em janeiro de 2024, foi adiada para 10 de abril de 2025.
Dados da Embratur mostram que os Estados Unidos foram o segundo país que mais enviou turistas em 2023, com 668,5 mil visitantes. Eles também lideraram os gastos, injetando US$1,3 bilhão na economia, conforme informações da BBC News Brasil.
O setor de turismo expressou preocupação com a volta da exigência. Um estudo da Oxford Economics, encomendado pela Iata, projeta que a medida poderia causar uma perda anual de R$9 bilhões e reduzir em 25% o número de turistas desses países.
Perfil e origem dos turistas
A Argentina continua sendo o principal emissor de turistas para o Brasil, com 1,9 milhão de visitantes em 2023. Em seguida vêm os Estados Unidos (668,5 mil), Chile (458,5 mil), Paraguai (424,5 mil) e Uruguai (334,7 mil).
Os turistas europeus também são relevantes. A França foi o principal país emissor do continente, com 187,5 mil turistas, seguida por Portugal (158,5 mil), Alemanha (156,5 mil), Reino Unido (130,2 mil) e Itália (129,4 mil).
O perfil de busca varia. Enquanto sul-americanos procuram principalmente sol e praia, os europeus e norte-americanos demonstram maior interesse por natureza e ecoturismo, visitando destinos como a Amazônia e o Pantanal.
Metas e perspectivas futuras
A Embratur tem como meta para 2024 superar o número de turistas de 2019, ultrapassando a marca de 6,3 milhões de visitantes. A agência também espera alcançar uma receita de US$8 bilhões até o final de 2027.
Para atingir esses objetivos, a estratégia inclui a ampliação da malha aérea internacional e a promoção do Brasil em feiras e eventos. O foco é divulgar a diversidade de destinos, indo além do tradicional roteiro de sol e praia.
Apesar do otimismo, o setor ainda enfrenta desafios para se consolidar como uma potência turística global. A infraestrutura e a segurança são pontos que demandam atenção para melhorar a experiência do visitante estrangeiro.
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