O Brasil registrou uma receita recorde de R$ 34,5 bilhões (US$ 6,9 bilhões) com turistas estrangeiros em 2023. O país recebeu 5,9 milhões de visitantes, número que supera a média pré-pandemia, mas ainda está abaixo do pico histórico de visitação de 2018.
O faturamento de 2023 é o maior da série histórica, iniciada em 1995. O valor representa um aumento de 1,5% em relação a 2014, ano em que o Brasil sediou a Copa do Mundo e havia registrado o recorde anterior, conforme informações da BBC Brasil.
Os dados foram compilados pelo Ministério do Turismo em parceria com a Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo) e o Banco Central. O resultado foi comemorado pelo governo como um sinal de recuperação e fortalecimento do setor.
O presidente da Embratur, Marcelo Freixo, destacou o resultado financeiro. Ele afirmou que o recorde de arrecadação demonstra que a estratégia de focar em um turismo mais sustentável e com maior valor agregado está correta, atraindo visitantes que gastam mais no país.
Apesar do recorde financeiro, o número de 5,9 milhões de turistas em 2023 não superou o pico de visitação. O ano de 2018 continua sendo o recordista em volume, com 6,6 milhões de estrangeiros. Em 2019, último ano antes da pandemia, foram 6,3 milhões.
Ainda assim, o volume de 2023 representa um avanço significativo. O número é 3% superior à média registrada no triênio pré-pandemia, compreendido entre 2017 e 2019, indicando uma retomada consistente do fluxo internacional de visitantes.
A Argentina continua sendo o principal emissor de turistas para o Brasil, com 1,9 milhão de visitantes em 2023. Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com 668,5 mil turistas, seguidos por Chile (458,5 mil), Paraguai (424,5 mil) e Uruguai (334,7 mil).
Fatores econômicos contribuíram para o resultado. A valorização do dólar em relação ao real tornou o Brasil um destino mais acessível e atrativo para estrangeiros, aumentando seu poder de compra e incentivando um maior gasto durante a estadia.
Além do câmbio, a política de vistos teve impacto. A isenção de vistos para cidadãos dos Estados Unidos, Canadá e Austrália, que esteve em vigor durante o período, facilitou a entrada de turistas desses mercados estratégicos.
Para especialistas, no entanto, os números mostram que o Brasil ainda está longe de atingir seu pleno potencial. Jaqueline Gil, professora de turismo da Universidade de São Paulo (USP), avalia que o resultado é positivo, mas modesto para um país com a diversidade de atrativos do Brasil.
A comparação internacional evidencia essa lacuna. Em 2022, o México recebeu 38,3 milhões de turistas estrangeiros, enquanto a Turquia atraiu 51,2 milhões. Ambos os países possuem uma política de estado mais consolidada para o setor.
Um dos maiores gargalos para o crescimento do turismo internacional no Brasil é a conectividade aérea. A falta de voos internacionais e o alto custo das passagens são apontados como os principais obstáculos para a atração de um número maior de visitantes.
Marina Figueiredo, presidente executiva da Unedestinos, reforça que o custo do transporte aéreo é um grande impeditivo. A malha aérea internacional ainda é concentrada no eixo Rio-São Paulo, dificultando o acesso a outros destinos turísticos do país.
Outros desafios estruturais persistem, como a questão da segurança pública e a precariedade da infraestrutura em diversas localidades turísticas. Esses problemas afetam a percepção de qualidade e segurança do destino Brasil no exterior.
O governo federal estabeleceu uma meta ambiciosa para o setor. O ministro do Turismo, Celso Sabino, afirmou que o objetivo é alcançar a marca de 10 milhões de turistas estrangeiros por ano até o final de 2026.
Para atingir essa meta, a Embratur tem focado em uma nova estratégia de promoção. A agência busca diversificar a imagem do Brasil, promovendo destinos de ecoturismo, cultura e negócios, para além do tradicional segmento de “sol e praia”.
A sustentabilidade tem sido um pilar central na nova comunicação da Embratur. A intenção é atrair um perfil de turista mais consciente e disposto a investir em experiências autênticas, o que pode explicar em parte o aumento da receita por visitante.
O debate que permanece é se os resultados de 2023 marcam o início de uma tendência sustentável ou se representam um pico influenciado por condições favoráveis pontuais. A superação dos desafios estruturais será determinante para consolidar o Brasil como um protagonista no turismo global.
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