O Brasil registrou receita recorde de US$ 6,9 bilhões com turismo internacional em 2023, superando marcas históricas. O país recebeu quase 6 milhões de visitantes, ultrapassando os níveis pré-pandemia, segundo dados compilados pela Embratur.
O faturamento de 2023 foi 1,5% superior ao de 2014, ano da Copa do Mundo, e representou uma alta de 41% em relação a 2022. Este é o maior valor já registrado na série histórica do Banco Central, iniciada em 1995.
O número de turistas estrangeiros, totalizando 5,9 milhões, indicou um crescimento de 63% sobre 2022. O volume também ficou 3% acima de 2019, último ano antes da crise sanitária, conforme informações do portal BBC News Brasil.
Os argentinos lideraram a lista de visitantes com 1,9 milhão de turistas. Americanos (668,5 mil), chilenos (458,5 mil), paraguaios (424,5 mil) e uruguaios (334,7 mil) completaram o top 5 de nacionalidades que mais visitaram o Brasil no período.
Rio de Janeiro, São Paulo, Foz do Iguaçu, Florianópolis e Salvador foram os destinos mais procurados. A diversidade de atrações, que vai de praias e natureza a cultura e negócios, continua sendo um forte atrativo para o público internacional.
Para Marcelo Freixo, presidente da Embratur, a melhora da imagem do país no exterior foi crucial. Ele atribui o crescimento à estabilidade política, ao retorno do Brasil ao debate democrático e ao foco em sustentabilidade.
A Embratur também intensificou a promoção do Brasil, participando de 16 feiras internacionais. A agência destaca a retomada de voos por companhias como British Airways e Virgin Atlantic, além de novas rotas de empresas como Emirates e Ethiopian Airlines.
A conectividade regional também foi ampliada. Voos da Azul, Sky e Avianca aumentaram as ligações com países da América do Sul, facilitando a chegada de turistas do continente, que representam a maior parcela dos visitantes.
A especialista em turismo Jaqueline Gil aponta para o fenômeno do “turismo de vingança”. Segundo ela, após o período de restrições da pandemia, as pessoas voltaram a viajar com mais intensidade para compensar o tempo perdido.
Uma pesquisa da LevaData com operadores internacionais reforça essa percepção positiva. O levantamento mostrou que 74% dos entrevistados consideram o Brasil um destino “na moda” ou trendy, o que impulsiona o interesse pelo país.
A satisfação dos visitantes também é alta. Uma pesquisa do Ministério do Turismo indicou que 60% dos turistas que vieram a lazer em 2023 manifestaram a intenção de retornar ao Brasil para novas viagens.
Apesar do avanço, o Brasil ainda busca se posicionar entre as grandes potências do turismo. A meta do governo é alcançar 10 milhões de visitantes, número ainda distante de países como México (40 milhões) e Turquia (50 milhões).
O alto custo das passagens aéreas é um dos principais desafios. A especialista Marina Figueiredo aponta que um voo da Europa para o Brasil pode custar mais caro que um para o Sudeste Asiático, mesmo a distância sendo maior.
A percepção de insegurança em grandes cidades é outro obstáculo. Ocorrências envolvendo turistas, como a morte de uma espanhola em uma favela do Rio, impactam negativamente a imagem do país como um destino seguro.
A conectividade aérea segue como ponto crítico, segundo Bruno Wendling, diretor-presidente do Visit Iguassu. Ele afirma que a Argentina investe mais na promoção de seu lado das cataratas, atraindo voos diretos da Europa, algo que Foz do Iguaçu não possui.
Para não frear o fluxo de visitantes, o governo adiou para abril de 2025 a exigência de visto para turistas dos EUA, Canadá e Austrália. A decisão foi celebrada pelo setor e classificada por Freixo como uma “vitória do bom senso”.
Marina Figueiredo, professora de turismo, reforça a necessidade de investimentos contínuos. Para ela, o Brasil precisa de mais infraestrutura e de uma promoção internacional robusta para se consolidar como um destino global de ponta.
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