A possibilidade de um segundo mandato de Donald Trump intensifica o temor no mercado sobre uma desvalorização deliberada do dólar. A preocupação foi reacendida por comentários de Robert Lighthizer, cotado para Secretário do Tesouro, que sugeriu enfraquecer a moeda para equilibrar o comércio.
Apesar de um alívio momentâneo, a discussão sobre o dólar persiste. Estrategistas e investidores temem que uma nova administração Trump possa reviver a política “America First”, utilizando o câmbio como ferramenta, segundo informações do portal InfoMoney.
Robert Lighthizer, em um artigo de opinião no The Economist e em seu livro, defendeu a ideia de desvalorizar o dólar. Ele argumenta que a medida é necessária para reverter os déficits comerciais dos EUA, que persistem há décadas.
A proposta de Lighthizer evoca o Acordo de Plaza de 1985. Naquela época, as principais economias mundiais concordaram em desvalorizar o dólar. A medida visava ajudar a indústria americana, que enfrentava forte concorrência do Japão.
O acordo levou a uma queda de 40% do dólar em dois anos. Contudo, analistas apontam que a situação atual é diferente. Hoje, o principal alvo seria a China, que provavelmente não cooperaria com um pacto semelhante.
Stephen Miller, estrategista do Standard Bank, afirmou que os mercados cambiais estão “muito complacentes” com o risco de uma política de dólar mais fraco. Ele acredita que a probabilidade de tal evento é maior do que se precifica.
Kamakshya Trivedi, do Goldman Sachs, vê uma chance de 10% a 15% de um novo Acordo de Plaza. Ele ressalta que a proposta de Lighthizer não é uma visão isolada, mas sim parte de um pensamento mais amplo entre os conservadores.
O próprio Donald Trump já expressou descontentamento com a força do dólar durante seu primeiro mandato. Em 2019, ele declarou que a moeda estava “muito forte”, dificultando a competição para as empresas americanas.
No entanto, a implementação de uma desvalorização coordenada enfrenta obstáculos. Michael Cahill, da Exante Data, argumenta que a China não teria incentivo para participar. Outros países poderiam resistir para não prejudicar suas próprias exportações.
Mark Sobel, ex-funcionário do Tesouro e presidente do fórum OMFIF nos EUA, criticou a ideia. Ele a classificou como “unilateralismo monetário agressivo” e “uma receita para o caos”.
Uma alternativa à intervenção cambial direta seria o uso de tarifas. Trump já indicou planos de impor uma tarifa de 10% sobre todas as importações e de até 60% ou mais sobre produtos chineses.
Essa abordagem tarifária remete a 1971, quando o presidente Richard Nixon impôs uma sobretaxa de 10% sobre as importações. A medida forçou parceiros comerciais a revalorizarem suas moedas em relação ao dólar.
A atual secretária do Tesouro, Janet Yellen, se opõe à intervenção cambial. Ela defende que o valor do dólar deve ser determinado pelo mercado e que a intervenção só é justificável em “circunstâncias excepcionais”.
Para Meera Chandan, do JPMorgan Chase & Co., a retórica sobre o dólar fraco deve ser levada a sério. Ela acredita que, mesmo que a política não seja implementada, a simples ameaça pode gerar volatilidade nos mercados.
Caso a política de desvalorização se concretize, moedas como o iene japonês e o euro poderiam se fortalecer. Moedas de mercados emergentes, especialmente na Ásia, também seriam impactadas, dada a sua forte ligação com o comércio global.
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