Tesouro Direto: Taxas caem com fluxo estrangeiro para Brasil

As taxas dos títulos do Tesouro Direto operam em queda nesta quinta-feira (14). O movimento é impulsionado pelo maior apetite de investidores estrangeiros por ativos brasileiros, o chamado “kit Brasil”, em meio a um cenário externo favorável e avanços na agenda econômica local.

A queda nos rendimentos foi generalizada. Segundo dados do portal InfoMoney, o Tesouro Prefixado 2027 oferecia juros de 10,24% ao ano, abaixo dos 10,39% da sessão anterior. O título para 2031 pagava 10,91%, contra 11,08%.

Nos títulos atrelados à inflação, o Tesouro IPCA+ 2029 apresentava uma taxa real de 5,50% ao ano, inferior aos 5,56% anteriores. Já o Tesouro IPCA+ 2035 e 2045 ofereciam juros reais de 5,62% e 5,75%, respectivamente.

Cenário externo e interno

O otimismo do mercado foi influenciado por dados da economia americana. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA subiu 0,3% em fevereiro, em linha com as expectativas. No acumulado de 12 meses, a alta foi de 3,2%.

O núcleo da inflação americana, que exclui itens voláteis, também avançou 0,3% no mês, mas o resultado anual de 3,8% ficou ligeiramente acima do esperado. As vendas no varejo dos EUA, por sua vez, cresceram 0,6%, abaixo da projeção de 0,8%.

Esses números reduzem a pressão sobre o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, para uma política monetária mais restritiva. Isso favorece mercados emergentes como o Brasil, atraindo capital estrangeiro.

Internamente, o avanço do arcabouço fiscal e da reforma tributária, somado à perspectiva de novos cortes na taxa Selic, compõe o “kit Brasil” que atrai investidores. Esse cenário fortalece a demanda por títulos públicos, pressionando as taxas para baixo.

O que esperar para os juros

Para André Fialho, sócio e analista de renda fixa da Genial Investimentos, o cenário é positivo para a renda fixa, especialmente para os títulos atrelados à inflação. Ele destaca que o contexto global e local favorece esses ativos.

Lais Costa, analista da Empiricus Research, também vê um momento favorável. Ela recomenda uma carteira diversificada, com alocação em pós-fixados, títulos de inflação e uma parcela menor em prefixados de prazo mais curto.

A analista destaca a NTN-B 2035 (Tesouro IPCA+ 2035) como uma boa oportunidade. Segundo ela, o título oferece proteção contra a inflação e pode se beneficiar do ciclo de queda de juros, que tende a valorizar os papéis prefixados.

Taxas do Tesouro Direto hoje

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto na tarde desta quinta-feira (14):

Tesouro Prefixado 2027: 10,24%

Tesouro Prefixado 2031: 10,91%

Tesouro Prefixado com juros semestrais 2035: 10,90%

Tesouro IPCA+ 2029: IPCA + 5,50%

Tesouro IPCA+ 2035: IPCA + 5,62%

Tesouro IPCA+ 2045: IPCA + 5,75%

Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2035: IPCA + 5,63%

Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2040: IPCA + 5,71%

Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2055: IPCA + 5,81%

Tesouro RendA+ 2030: IPCA + 5,70%

Tesouro RendA+ 2065: IPCA + 5,84%

Tesouro Educa+ 2026: IPCA + 5,69%

Tesouro Educa+ 2042: IPCA + 5,86%

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