STF: 8 ministros têm parentes com 138 processos na Corte

Oito dos onze ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) têm parentes próximos que atuam como advogados em processos na própria Corte. Um levantamento identificou 138 ações ligadas a esses familiares desde 2019, conforme reportagem da BBC Brasil baseada em dados do portal Poder360.

Os ministros com familiares advogando no tribunal são: Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Edson Fachin e Flávio Dino. A lista também inclui Gilmar Mendes, Kassio Nunes Marques, Luiz Fux e o presidente da Corte, Luís Roberto Barroso.

A legislação brasileira possui mecanismos para prevenir conflitos de interesse no Judiciário. O Código de Processo Civil (artigo 144) e o Código de Processo Penal (artigo 252) detalham as situações de impedimento e suspeição de magistrados.

Entre as regras está a proibição de um juiz atuar em processos onde seu cônjuge ou parente de até terceiro grau seja advogado. O regimento interno do próprio STF (artigo 277) ecoa essa determinação legal.

A declaração de impedimento por um ministro aciona um procedimento padrão na Corte. O processo é imediatamente retirado de sua relatoria e redistribuído a outro membro do tribunal, garantindo a imparcialidade do julgamento.

Em julgamentos realizados pelas turmas do STF, o ministro impedido é substituído por um colega de outra turma. Já nas sessões do plenário, o magistrado simplesmente não participa da votação.

O levantamento indicou que o sistema funciona na maioria das vezes. Em 131 dos 138 processos identificados, os ministros seguiram o protocolo e se declararam impedidos, conforme determina a lei e o regimento da Corte.

Contudo, em sete processos, a declaração de impedimento não foi registrada inicialmente. As ocorrências envolvem os ministros Luiz Fux (cinco casos), Gilmar Mendes (um caso) e Dias Toffoli (um caso).

A assessoria de comunicação do STF forneceu explicações para cada uma das situações. No caso do ministro Luiz Fux, os cinco processos tinham a participação de seu filho, o advogado Rodrigo Fux.

Em quatro desses casos, o tribunal informou que o nome de Rodrigo Fux não constava na capa dos autos, o que teria dificultado a identificação imediata. O ministro não era o relator original dessas ações.

No quinto processo, o escritório do filho do ministro foi habilitado nos autos posteriormente. O STF afirma que Fux se declarou impedido assim que foi formalmente comunicado da mudança, sem ter proferido nenhuma decisão no período.

A situação envolvendo Gilmar Mendes refere-se a um processo com sua esposa, a advogada Guiomar Mendes. Segundo o STF, a ação foi arquivada por meio de uma decisão monocrática, sem que o ministro analisasse o mérito da questão.

No caso de Dias Toffoli, o escritório de sua esposa, Roberta Rangel, foi contratado após o julgamento do mérito pelo plenário. A Corte assegurou que Toffoli não participou de nenhum ato processual subsequente.

Em nota oficial, o STF reiterou que a conduta de seus membros é pautada pela legislação vigente. O tribunal destacou que as exceções apontadas foram corrigidas e que seu sistema de controle de impedimentos é robusto.

Uma medida para evitar conflitos foi adotada pela família do ministro Cristiano Zanin. Sua esposa, a advogada Valeska Zanin, encerrou as atividades de seu escritório em Brasília após a nomeação do marido para a Corte.

O próprio Zanin já se declarou impedido em mais de 300 processos desde que assumiu o cargo. Os casos são remanescentes de sua carreira como advogado, inclusive em ações de grande repercussão nacional.

O levantamento mostra que três dos onze ministros não têm parentes advogando na Corte. São eles Alexandre de Moraes, André Mendonça e Cristiano Zanin, que se juntam aos demais na composição atual do tribunal.

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