Tancredo da Silva Pinto, conhecido como Tata Tancredo, foi a figura central na criação do Réveillon de Copacabana. Ele transformou uma pequena cerimônia religiosa em um evento de massa que hoje define a virada de ano no Rio de Janeiro e no Brasil.
Antes da década de 1950, as homenagens a Iemanjá eram discretas e restritas, ocorrendo em locais afastados e frequentemente alvo de repressão policial. A prática não possuía a visibilidade ou a escala que adquiriu posteriormente, segundo informações da BBC.
A mudança começou em 31 de dezembro de 1955. Naquela data, Tancredo organizou a primeira grande procissão pública para Iemanjá na praia de Copacabana. O evento inicial reuniu algumas dezenas de pessoas em frente ao hotel Copacabana Palace.
A iniciativa de Tancredo foi um movimento estratégico para dar visibilidade e legitimidade à umbanda. Ele utilizou o espaço público mais famoso do Rio de Janeiro para posicionar a celebração no calendário oficial da cidade, atraindo a atenção da imprensa e do público.
Nascido em Cantagalo (RJ), Tancredo mudou-se para o Rio e trabalhou como estivador no porto. Sua atuação como líder religioso e organizador de eventos o levou a ser apelidado de “Papa Negro da Umbanda” pela imprensa da época, um título que ele adotou.
O evento cresceu exponencialmente ao longo dos anos. A celebração que começou com um pequeno grupo se tornou uma das maiores festas de Ano Novo do mundo, atraindo milhões de pessoas e gerando um impacto econômico significativo para a cidade.
Para os historiadores Liana de Bacco e Renato Athias, Tancredo foi o “grande inventor” da festa. Eles destacam que ele percebeu o potencial de ocupar um espaço nobre para combater o preconceito e popularizar a tradição.
Sua visão não se limitou ao evento. Tancredo também foi um dos fundadores da Confederação Umbandista do Brasil. Seu objetivo era unificar e organizar o movimento umbandista no país, buscando reconhecimento e respeito para a religião.
A estratégia de sincretismo, associando Iemanjá a figuras católicas, foi uma das ferramentas utilizadas para ampliar a aceitação popular da celebração. Essa abordagem facilitou a integração do evento na cultura carioca, que já era majoritariamente católica.
O jornalista Arley de Siqueira, autor de “História da Umbanda no Brasil”, afirma que a festa de Iemanjá, como é conhecida hoje, foi uma “invenção” de Tata Tancredo. Ele foi o arquiteto de um novo formato para a manifestação religiosa.
O sucesso da iniciativa em Copacabana inspirou a criação de eventos similares em outras cidades brasileiras. A celebração de Ano Novo na praia, com oferendas ao mar, tornou-se uma tradição nacional, em grande parte devido ao modelo estabelecido por Tancredo.
Seu legado é a transformação de uma prática restrita em um fenômeno cultural e turístico. O Réveillon de Copacabana é hoje um produto de grande valor para o Rio de Janeiro, e sua origem está diretamente ligada à visão estratégica de Tancredo da Silva Pinto.
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