A ascensão da Venezuela como uma potência em concursos de beleza está diretamente ligada ao seu boom petrolífero. A riqueza gerada pelo petróleo financiou uma indústria que transformou a beleza em um símbolo de status e modernidade para o país, segundo uma análise da BBC.
O sucesso venezuelano em competições como Miss Universo e Miss Mundo não foi coincidência. Esse fenômeno ganhou força com a bonança econômica dos anos 1970, quando o país se tornou um dos maiores exportadores de petróleo do mundo e buscava projeção internacional.
A pesquisadora Maritza Jiménez cunhou o termo “petro-beleza” para descrever essa conexão. O conceito explica como a riqueza do petróleo foi usada para construir um ideal de beleza feminina como parte de um projeto de modernização nacional.
Com vastos recursos financeiros, a Venezuela pôde investir pesadamente na preparação de candidatas. O dinheiro do petróleo financiou desde concursos locais até cirurgias plásticas, tratamentos estéticos e treinamentos intensivos, criando uma verdadeira “fábrica de misses”.
A figura central desse movimento foi Osmel Sousa, que presidiu a organização Miss Venezuela por quase 40 anos. Sob sua liderança, o concurso se tornou um evento de importância nacional, com o objetivo explícito de projetar uma imagem de sucesso do país no exterior.
O padrão de beleza estabelecido era específico: mulheres altas, magras e com traços que frequentemente eram aprimorados por meio de procedimentos cirúrgicos. Essa construção de um ideal estético se tornou uma das principais exportações culturais da Venezuela.
A indústria da beleza floresceu, alimentada pela ideia de que o sucesso em concursos internacionais era uma prova do progresso e da sofisticação venezuelana. A beleza se tornou um ativo econômico e um instrumento de poder simbólico para o país.
No entanto, a profunda crise econômica que atingiu a Venezuela nas últimas décadas desmantelou essa estrutura. A hiperinflação, a escassez e o colapso dos serviços públicos tornaram a manutenção da indústria da “petro-beleza” insustentável.
Patrocinadores se afastaram e o glamour dos concursos deu lugar a escândalos e dificuldades financeiras. A própria organização Miss Venezuela enfrentou graves acusações e precisou ser reestruturada, perdendo grande parte de seu antigo prestígio e capacidade de investimento.
A crise também provocou um êxodo em massa de venezuelanos, incluindo modelos, esteticistas, cirurgiões e outros profissionais que formavam a base da indústria da beleza. Muitos buscaram oportunidades em outros países da América Latina, Europa e nos Estados Unidos.
Embora o “mito da beleza venezuelana” ainda persista no imaginário popular, a base econômica que o sustentava, o chamado petro-Estado, desmoronou. A indústria que um dia simbolizou a riqueza e a modernidade do país hoje reflete o seu colapso econômico.
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