Morte de ativista nos EUA: o caso que abala o debate de armas

A morte do ativista ambiental Manuel “Tortuguita” Terán, de 26 anos, baleado pela polícia na Geórgia, EUA, gerou uma reviravolta no debate sobre o uso de força policial e o porte de armas no país, após laudos conflitantes sobre o confronto.

O incidente ocorreu em 18 de janeiro de 2023, durante um protesto contra a construção de um centro de treinamento policial em uma floresta perto de Atlanta. O projeto é apelidado de “Cop City” pelos opositores.

A versão oficial do Georgia Bureau of Investigation (GBI) afirma que Terán atirou primeiro, ferindo um policial. Contudo, a família do ativista contesta essa narrativa e busca respostas sobre as circunstâncias da morte.

Uma autópsia independente, encomendada pela família e divulgada pelo legista do condado de DeKalb, indicou que Terán foi baleado pelo menos 14 vezes. O laudo sugere que ele estava com as mãos para o alto, em posição defensiva.

Este laudo contradiz a investigação inicial do GBI. A autópsia oficial concluiu que não havia evidências definitivas para determinar a posição do corpo de Terán no momento dos disparos. Também não encontrou vestígios de pólvora em suas mãos.

Segundo informações da BBC, o GBI afirmou que a arma usada no ataque ao policial foi comprada legalmente por Terán em 2020. A família, no entanto, alega que ele era um pacifista e se opunha ao uso de armas.

A mãe do ativista, Belkis Terán, viajou da Venezuela para os EUA em busca de justiça. Ela descreve o filho como um defensor da não-violência, treinado em mediação de conflitos.

A controvérsia aumentou com a ausência de imagens de câmeras corporais dos policiais que efetuaram os disparos. O GBI inicialmente declarou não haver filmagens, mas depois admitiu a existência de vídeos de outros policiais que chegaram após o ocorrido.

O projeto “Cop City” é uma instalação de US$ 90 milhões apoiada pela Atlanta Police Foundation. A construção enfrenta forte oposição de ativistas ambientais e de direitos civis, que temem o desmatamento e a militarização da polícia.

Após a morte de Terán, dezenas de manifestantes foram presos e acusados de “terrorismo doméstico”, uma medida que críticos consideram uma tentativa de reprimir o movimento de protesto.

O caso também expõe as complexidades das leis de armas na Geórgia. Uma lei de 2014 permite que pessoas portem armas de fogo em muitos locais públicos, incluindo parques, o que é usado como argumento por alguns manifestantes que andam armados.

A família de Terán iniciou um processo legal para obter acesso a todos os registros da investigação. Eles buscam transparência sobre o que levou à morte do ativista, que foi atingido por 57 tiros disparados por vários policiais.

O confronto ocorreu em uma barraca na floresta onde Terán estava acampado. Os policiais faziam uma operação para remover manifestantes do local. O policial ferido foi atingido na virilha e sobreviveu.

A batalha legal da família Terán continua, enquanto o debate sobre a violência policial e o direito ao porte de armas se intensifica, com o caso “Tortuguita” como um ponto central de discussão nos Estados Unidos.

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