Cinema une o país como a Seleção, diz Kleber Mendonça

O cineasta Kleber Mendonça Filho acredita que o cinema tem o poder de unir os brasileiros, similar ao que acontece com a Seleção Brasileira em uma boa fase. A declaração foi feita após seu filme, ‘Retratos Fantasmas’, ser escolhido para representar o Brasil no Oscar 2024.

O longa-metragem disputará uma vaga na categoria de Melhor Filme Internacional. Segundo informações da BBC News Brasil, o documentário aborda a história dos cinemas de rua do centro de Recife, cidade natal do diretor.

Mendonça Filho descreve o filme como uma exploração sobre como as pessoas vivem em sociedade e compartilham espaços. Ele utiliza as salas de cinema como um microcosmo da vida urbana e das relações humanas, destacando a experiência coletiva que elas proporcionam.

Para o diretor, a sala de cinema é um espaço de encontro, onde o público se torna uma “massa de 200, 500 ou 1.000 pessoas” que reagem juntas. Ele compara essa união ao sentimento gerado por um gol da Seleção em uma Copa do Mundo.

O cineasta ressalta que o cinema, assim como o futebol, pode ser um ponto de convergência em um país politicamente dividido. Ele argumenta que a cultura e a arte oferecem um terreno comum, capaz de gerar discussões e sentimentos compartilhados entre diferentes grupos.

‘Retratos Fantasmas’ foi selecionado por uma comissão da Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais. O filme superou outros 27 longas brasileiros inscritos na disputa pela vaga na premiação da Academia de Hollywood.

A escolha foi vista por Mendonça Filho como um sinal de novos tempos para a cultura no Brasil. Ele mencionou a retomada de políticas para o setor, citando a Agência Nacional do Cinema (Ancine) como um órgão que voltou a funcionar de maneira mais estruturada.

O diretor possui um histórico de prestígio internacional. Seus filmes anteriores, como ‘O Som ao Redor’ (2012), ‘Aquarius’ (2016) e ‘Bacurau’ (2019), foram aclamados em festivais como o de Cannes, onde ‘Bacurau’ venceu o Prêmio do Júri.

Apesar do reconhecimento, ele lamenta que ‘Aquarius’ não tenha sido escolhido para o Oscar em sua época, atribuindo a decisão a um contexto político. O filme gerou controvérsia após um protesto da equipe no tapete vermelho de Cannes contra o impeachment da então presidente Dilma Rousseff.

Mendonça Filho destaca que a seleção de ‘Retratos Fantasmas’ demonstra uma mudança. Ele vê a escolha como um reconhecimento técnico e artístico, livre de interferências políticas que, segundo ele, marcaram o período anterior do governo federal.

O documentário utiliza imagens de arquivo pessoal do diretor, gravadas ao longo de décadas, para contar a história dos cinemas Art-Palácio e São Luiz, em Recife. O filme parte de uma perspectiva pessoal para discutir temas universais como memória e urbanismo.

Ele também aborda a transição do cinema analógico para o digital e o impacto das plataformas de streaming. Embora reconheça a conveniência do consumo de filmes em casa, o cineasta defende a experiência insubstituível da sala de cinema.

Para ele, a tecnologia de streaming não deve ser vista como uma ameaça, mas como um formato diferente de exibição. A sala escura, no entanto, permanece como o local ideal para a fruição completa de uma obra cinematográfica, conforme sua visão.

O diretor acredita que a cultura brasileira está em um momento de reconstrução. Ele espera que o apoio institucional ao setor cultural, incluindo o cinema, seja fortalecido para garantir a continuidade e a diversidade da produção nacional no cenário global.

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