O governo Lula indicou o economista Paulo Picchetti para uma diretoria do Banco Central. Professor da FGV, ele é conhecido por suas críticas à atual política monetária e ao mercado financeiro, alinhando-se a uma visão mais desenvolvimentista da economia.
A indicação foi anunciada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em 31 de outubro. Picchetti foi nomeado para a Diretoria de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos e precisa da aprovação do Senado para assumir o cargo.
A nomeação faz parte da estratégia do presidente Lula para aumentar a influência do governo no Comitê de Política Monetária (Copom). O comitê, responsável pela definição da taxa de juros Selic, é composto por nove membros.
Lula já havia indicado Gabriel Galípolo e Ailton de Aquino para o comitê. Com a confirmação de Picchetti, o governo passará a ter três dos nove votos, segundo reportagem da BBC Brasil.
Até o final de 2024, o presidente poderá indicar mais dois diretores e o presidente do BC, substituindo Roberto Campos Neto. Isso daria ao governo a maioria de seis votos no Copom, consolidando sua visão na política monetária.
Picchetti é professor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (EESP-FGV). Ele também coordena o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe e possui doutorado pela Universidade de Illinois Urbana-Champaign.
O economista teve passagens pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Sua trajetória acadêmica é marcada por posicionamentos críticos à ortodoxia econômica.
Em textos e entrevistas, Picchetti defendeu a redução da taxa de juros e criticou o regime de metas de inflação. Ele argumenta que o modelo atual impõe um custo social elevado para a economia brasileira.
Ele é um dos autores, ao lado de Nelson Barbosa e André Lara Resende, de um texto que propunha um “mandato dual” para o Banco Central. A proposta visava incluir o crescimento do emprego como meta, além do controle da inflação.
Essa ideia de mandato dual foi posteriormente incorporada à lei que estabeleceu a autonomia do Banco Central. A legislação agora determina que a autoridade monetária deve buscar o pleno emprego como objetivo secundário.
Picchetti também é um crítico declarado do que chama de visão de curto prazo da “Faria Lima”, em referência ao centro financeiro de São Paulo. Ele aponta uma resistência do mercado a mudanças na política econômica.
Para o economista, o mercado financeiro reage negativamente a qualquer política que se desvie do consenso, mesmo que as propostas sejam moderadas. Ele defende um papel mais ativo do Estado na economia.
Em sua visão, o investimento público é crucial e não deve ser visto apenas como um problema fiscal. Ele defendeu publicamente a PEC da Transição, que permitiu a ampliação de gastos sociais no início do governo Lula.
O professor da FGV já criticou a comunicação do Banco Central sob a gestão de Campos Neto. Segundo ele, o BC estaria focando excessivamente em questões fiscais, que não são de sua responsabilidade direta.
A indicação de Picchetti foi recebida com ressalvas por parte do mercado financeiro. Analistas o consideram um nome “heterodoxo”, o que gerou preocupações sobre os futuros rumos da política monetária no país.
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