Apesar do recorde histórico do Ibovespa, a realidade para o investidor pessoa física na bolsa brasileira é de perdas. Um estudo da TC/Economatica revela que a carteira média desses investidores acumula uma desvalorização de 28% nos últimos três anos.
O principal índice da B3 atingiu a marca de 134.193,72 pontos em 19 de dezembro de 2023. Desde o início de 2021, a valorização do Ibovespa foi de 12,8%, período em que o número de CPFs na bolsa saltou de 3,2 milhões para 5,8 milhões.
A pesquisa, que analisou 562,7 mil portfólios, aponta um cenário adverso para a maioria. Conforme o levantamento, 72% dos investidores pessoa física registraram rentabilidade negativa em suas carteiras de ações, segundo informações do portal NeoFeed.
A principal razão para essa disparidade é a falta de diversificação. O portfólio médio do investidor individual contém apenas 4,6 ações. Cerca de 40% dos investidores possuem apenas uma única ação em sua carteira, o que aumenta significativamente o risco.
As cinco ações mais presentes nas carteiras analisadas foram Oi (OIBR3), Via (VIIA3), Magazine Luiza (MGLU3), IRB (IRBR3) e Cogna (COGN3). Esses papéis, no entanto, tiveram um desempenho drasticamente negativo nos últimos anos.
Desde janeiro de 2021, as perdas foram expressivas. A OIBR3 caiu 97%, a VIIA3 recuou 95%, e a MGLU3 desvalorizou 92%. Completam a lista a IRBR3, com queda de 91%, e a COGN3, com baixa de 45%.
Em contrapartida, as cinco empresas com maior peso no Ibovespa apresentaram um desempenho muito diferente. A carteira teórica do índice é liderada por Vale (VALE3), Petrobras (PETR4), Itaú Unibanco (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e Ambev (ABEV3).
No mesmo período, a PETR4 subiu 97% e a ITUB4 avançou 52%. A VALE3 teve alta de 13%. Já BBDC4 e ABEV3 registraram quedas de 1,4% e 10%, respectivamente, um resultado muito superior ao das ações preferidas pelo varejo.
Felipe Pontes, diretor financeiro do TC, explica o fenômeno. “O investidor pessoa física não tem um portfólio diversificado como o Ibovespa. Ele acaba concentrando em poucas ações, que são as que mais caíram na bolsa”, afirma.
Segundo Pontes, existe um viés comportamental. “A pessoa física tem um viés de procurar a ação que vai dar a grande porrada. É a busca pelo bilhete de loteria”, destaca o executivo, mencionando também o chamado “efeito manada”.
Outro fator comportamental identificado é o “efeito disposição”. Trata-se da tendência do investidor de vender rapidamente as ações que sobem e segurar por muito tempo os papéis que estão em queda, na esperança de uma recuperação que nem sempre ocorre.
Os dados do estudo reforçam a baixa diversificação. Cerca de 70% dos portfólios analisados possuem até cinco ações. Esse número sobe para 85% quando se considera carteiras com até dez ativos diferentes.
O levantamento também mostra que o valor mediano das carteiras é de R$ 1.050. Além disso, 90% de todos os portfólios analisados possuem um valor total inferior a R$ 48 mil.
O número de investidores ativos, ou seja, com alguma posição em custódia, é de 5 milhões, de um total de 5,8 milhões de CPFs cadastrados na B3. A diferença evidencia a distância entre o desempenho do índice e o resultado do investidor comum.
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