Gol: da liderança à crise de R$ 20 bi e saída da B3

A Gol Linhas Aéreas Inteligentes, que encerrou 2023 como líder no mercado doméstico, enfrenta uma grave crise. A companhia entrou com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos e, como consequência, suas ações deixaram de ser negociadas na bolsa de valores brasileira, a B3.

O processo, conhecido como Chapter 11, foi protocolado no Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova York. A dívida total da empresa atinge aproximadamente R$ 20 bilhões. O objetivo é reestruturar as finanças enquanto mantém suas operações em andamento.

Para financiar a reestruturação, a Gol obteve um compromisso de financiamento de US$ 950 milhões na modalidade DIP (debtor-in-possession). O financiamento foi concedido por membros do Abra Group, principal acionista da companhia aérea.

Da liderança ao colapso financeiro

Apesar dos problemas financeiros, a Gol foi a companhia com maior participação no mercado doméstico em 2023, com 38,6%. O número a colocou ligeiramente à frente da Latam, que registrou 37,8% de participação, segundo dados da Anac mencionados em reportagem do portal Exame.

A trajetória da empresa, fundada em 2001, inclui marcos como o IPO em 2004 e a aquisição da Varig em 2007. Contudo, o cenário mudou drasticamente. As ações GOLL4, que já estiveram entre as mais negociadas, despencaram e eram negociadas abaixo de R$ 1.

André Fernandes, da A7 Capital, afirmou que a situação era esperada. Ele apontou o alto endividamento e o patrimônio líquido negativo como sinais claros da dificuldade que a empresa enfrentava para honrar seus compromissos financeiros.

Os motivos da crise

A crise da Gol foi agravada por múltiplos fatores. A pandemia de Covid-19 impôs severas restrições de viagens, impactando diretamente o setor aéreo. A retomada foi lenta e encontrou novos obstáculos, como a disparada no preço do querosene de aviação (QAV).

A valorização do dólar frente ao real também pressionou os custos da companhia. Cerca de 50% das despesas da Gol, incluindo arrendamento de aeronaves e manutenção, são dolarizadas. A alta da taxa Selic, por sua vez, encareceu o custo da dívida.

Ao final do terceiro trimestre de 2023, a dívida bruta da Gol era de R$ 20,127 bilhões. A posição de caixa da empresa era de apenas R$ 783 milhões, evidenciando a fragilidade financeira que levou ao pedido de recuperação judicial.

O futuro da Gol após o Chapter 11

O processo de Chapter 11 permite que a Gol continue operando normalmente. Voos de passageiros, voos de carga e o programa de fidelidade Smiles não serão afetados. A empresa poderá renegociar suas dívidas com credores e fornecedores sob supervisão judicial.

A Latam passou por um processo semelhante em 2020, também recorrendo ao Chapter 11 nos EUA, e conseguiu se reerguer. A expectativa é que a Gol utilize o período para ajustar sua estrutura de capital e garantir sua sustentabilidade a longo prazo.

Com a recuperação judicial, a negociação das ações GOLL4 foi suspensa na B3. Este movimento marca o fim de um ciclo para a companhia aérea no mercado de capitais brasileiro, enquanto inicia um novo capítulo focado em sua reestruturação financeira.

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