A fortuna combinada dos cinco homens mais ricos do mundo mais do que dobrou desde 2020, atingindo US$ 869 bilhões. Em contrapartida, quase 5 bilhões de pessoas ficaram mais pobres no mesmo período, segundo o relatório “Inequality Inc.” da Oxfam.
O documento, divulgado durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, aponta que a riqueza desses bilionários cresceu a uma taxa de US$ 14 milhões por hora. A lista inclui Elon Musk, Bernard Arnault e família, Jeff Bezos, Larry Ellison e Mark Zuckerberg.
De acordo com as projeções da Oxfam, o mundo poderá ter seu primeiro trilionário em uma década. No entanto, a erradicação da pobreza, no ritmo atual, só seria alcançada em 229 anos, conforme análise do portal Money Times.
O relatório destaca o aumento do poder corporativo como um dos motores da desigualdade. Sete das dez maiores corporações globais têm um bilionário como CEO ou principal acionista. O valor de mercado somado dessas empresas é de US$ 10,2 trilhões.
Em 2023, as corporações registraram lucros recordes, com um aumento de 89% em comparação com a média do período de 2017 a 2020. O estudo analisou 1.600 das maiores empresas do mundo para chegar a essa conclusão.
Entre julho de 2022 e junho de 2023, para cada US$ 100 de lucro gerado por 96 grandes corporações, US$ 82 foram pagos aos acionistas. Este dado evidencia a priorização do retorno ao capital em detrimento de outros investimentos.
Globalmente, o 1% mais rico detém 43% de todos os ativos financeiros. Essa concentração de riqueza é um dos principais focos do estudo da Oxfam, que analisa as tendências de acumulação de capital em escala mundial.
Cenário da Desigualdade no Brasil
No Brasil, a concentração é ainda mais acentuada. O 1% mais rico da população detém 48,6% de todos os ativos financeiros do país. Já a parcela do 0,01% mais abastada concentra 27% desses mesmos ativos.
Desde 2020, os quatro bilionários mais ricos do Brasil viram sua fortuna aumentar em 51%. Enquanto isso, o restante da população, os 99%, não acompanhou esse crescimento na mesma proporção, aprofundando o fosso social.
Em 2022, 91% de todo o aumento da riqueza gerada no país foi apropriado pelo 1% mais rico. Este dado ilustra como os ganhos econômicos recentes foram distribuídos de forma desigual entre a população brasileira.
Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil, afirma que o poder corporativo sem controle é uma “máquina de gerar desigualdade”. Segundo ela, as empresas estão canalizando a riqueza para uma elite já abastada.
A organização propõe medidas para reverter esse quadro. Entre as sugestões estão a revitalização do Estado, a regulação do poder das corporações, a oferta de serviços públicos universais e o desmantelamento de monopólios.
A Oxfam também defende a implementação de um imposto sobre a riqueza de milionários e bilionários. A estimativa é que tal medida poderia gerar anualmente US$ 4,7 trilhões, recursos que poderiam ser usados para combater a pobreza.
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