As escolas cívico-militares do Paraná enfrentam uma demanda crescente, com uma fila de espera que já ultrapassa 11 mil alunos. A principal motivação dos pais, segundo relatos, é a busca por um ambiente de maior disciplina e respeito para os filhos.
Atualmente, o estado conta com 194 escolas nesse modelo, atendendo cerca de 80 mil estudantes. O programa foi expandido em 2023, com a inclusão de 127 novas unidades, mesmo após o governo federal anunciar o fim do programa nacional.
A decisão do governador Ratinho Junior (PSD) de manter e ampliar o modelo contrasta com a política do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que descontinuou o Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (Pecim), criado na gestão de Jair Bolsonaro (PL).
A busca dos pais por disciplina
Muitos pais veem no modelo cívico-militar uma solução para a falta de disciplina dos filhos. Regiane, mãe de um aluno de 12 anos, relata que buscou a escola por não conseguir impor limites em casa. “Eu não estava dando conta”, afirmou.
Ela descreve a escola como um local que oferece “educação, respeito e disciplina”. A percepção é que a presença de militares ajuda a moldar o comportamento dos jovens, um sentimento compartilhado por outras famílias que procuram o modelo.
O secretário de Educação do Paraná, Renato Feder, reconhece essa demanda. Segundo ele, os pais “procuram alguém que faça a disciplina dos filhos”, transferindo para a escola uma responsabilidade que sentem dificuldade em exercer.
A rotina militarizada nas escolas
A rotina dos alunos em escolas cívico-militares é marcada por regras rígidas. O uso de uniforme completo é obrigatório, e os estudantes são instruídos a se dirigir aos militares e professores com formalidade, usando “senhor” e “senhora”.
A estrutura conta com monitores militares, geralmente policiais ou bombeiros da reserva, que cuidam da disciplina e organização fora da sala de aula. Eles não interferem no conteúdo pedagógico, que permanece sob responsabilidade dos professores.
Para os estudantes, a adaptação pode ser um desafio. Um aluno de 12 anos, filho de Regiane, inicialmente resistiu às novas regras, como a proibição de bonés e a necessidade de manter o cabelo cortado. Com o tempo, ele se adaptou à nova rotina.
O debate político e o custo do programa
A manutenção do programa no Paraná gerou um debate político. Enquanto o governo federal encerrou o Pecim, alegando desvio de finalidade das Forças Armadas, o Paraná decidiu criar um programa estadual próprio, financiado integralmente com recursos locais.
O custo anual do programa para os cofres paranaenses é de aproximadamente R$ 80 milhões. Esse valor é destinado ao pagamento dos cerca de 800 militares da reserva que atuam como monitores nas escolas.
A seleção das escolas que aderem ao modelo ocorre por meio de consulta pública com a comunidade escolar, incluindo pais, alunos maiores de 16 anos, professores e funcionários. A adesão é voluntária.
Críticas e questionamentos pedagógicos
Apesar da alta procura, o modelo cívico-militar é alvo de críticas de especialistas em educação. Daniel Cara, da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, argumenta que o modelo não representa uma solução pedagógica eficaz.
Segundo Cara, o foco excessivo em disciplina pode mascarar a falta de investimentos em outros aspectos cruciais da educação. Ele aponta que a militarização pode prejudicar a gestão democrática das escolas e a liberdade de cátedra dos professores.
Outro ponto de questionamento é a eficácia do modelo na melhoria do desempenho acadêmico. Embora o governo do Paraná aponte para uma melhora no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) em algumas dessas escolas, os dados ainda são considerados preliminares e insuficientes para uma conclusão definitiva.
Críticos afirmam que a disciplina imposta pode gerar um ambiente de medo e não necessariamente de aprendizado. A discussão segue sobre se a ordem militarizada é o caminho mais adequado para a formação integral dos estudantes.
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