A atuação do financista Jeffrey Epstein no Brasil envolveu um concurso de moda, uma revista e uma recrutadora. A rede, que operou principalmente no final dos anos 1990, buscava mulheres jovens no país, conforme apuração da BBC.
Epstein, condenado por crimes sexuais, se suicidou na prisão em 2019. Sua parceira, Ghislaine Maxwell, foi sentenciada a 20 anos de prisão em 2022. A conexão brasileira da rede era liderada pelo agente de modelos francês Jean-Luc Brunel, que também se suicidou na prisão em 2022.
Como Epstein chegou ao Brasil?
A porta de entrada de Epstein no Brasil foi Jean-Luc Brunel, fundador da agência de modelos MC2 Model Management. Brunel era conhecido por descobrir tops como Christy Turlington e tinha forte presença no mercado de moda brasileiro, especialmente no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Documentos judiciais e relatos de vítimas indicam que Brunel usava sua posição para abusar sexualmente de modelos. Ele prometia carreiras internacionais, mas as levava para encontros com Epstein, onde eram exploradas. Brunel visitava o Brasil com frequência.
A ‘recrutadora’ e o concurso de modelos
No Brasil, a figura central da rede era Lygia de Moraes. Descrita como o braço direito de Brunel, ela era responsável por encontrar mulheres para a rede. Moraes organizou o concurso de modelos “The Look of The Year” no Brasil em 1998.
O evento foi patrocinado por Epstein e pela revista Quest Magazine, de sua propriedade. Realizado em Ilha Grande (RJ), o concurso prometia um contrato de US$ 150 mil com a agência MC2. A vencedora foi uma jovem de 16 anos do Mato Grosso do Sul.
Edgardo Gomes, fotógrafo do concurso, relatou que o evento era uma fachada. Segundo ele, o objetivo era selecionar mulheres para Epstein e seus amigos. Gomes afirmou que Lygia de Moraes era a “recrutadora” e que Brunel e Epstein estavam presentes.
A revista ‘Quest’ e a busca por mulheres
A revista Quest Magazine foi outro instrumento utilizado pela rede. Com edições de luxo, a publicação servia de pretexto para abordar mulheres. A revista tinha um escritório na Park Avenue, em Nova York, mesmo endereço das empresas de Epstein.
A publicação era distribuída gratuitamente em locais de alto padrão. Seu conteúdo incluía artigos sobre arte, cultura e viagens, mas seu propósito principal era atrair mulheres para o círculo de Epstein. O nome dele não aparecia no expediente da revista.
Lygia de Moraes era listada como “editora contribuinte” da Quest para a América do Sul. Ela era responsável por encontrar pautas e, principalmente, pessoas para serem fotografadas e apresentadas a Epstein, segundo a investigação.
Voos para a ilha e as vítimas
Registros de voo dos jatos particulares de Epstein mostram que ao menos sete mulheres brasileiras foram transportadas para sua ilha particular, Little St. James, no Caribe. Os voos ocorreram entre 1997 e 2005.
Uma das vítimas, Adriana Ross, testemunhou no julgamento de Ghislaine Maxwell. Ela relatou ter sido recrutada em São Paulo por um olheiro da MC2 aos 15 anos. Ross foi levada para Paris e depois para os Estados Unidos, onde sofreu abusos de Epstein.
Lygia de Moraes faleceu de câncer em 2005. Sua família, contatada pela reportagem, afirmou que ela nunca demonstrou ter conhecimento dos crimes. Alegaram que ela acreditava estar ajudando jovens a construir uma carreira internacional na moda.
A investigação aponta que a rede de Epstein e Brunel explorou a vulnerabilidade de jovens brasileiras com o sonho de se tornarem modelos. Utilizaram a estrutura da indústria da moda, incluindo concursos e publicações, para facilitar o esquema de exploração sexual.
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