Agendas do financista Jeffrey Epstein revelam encontros e trocas de e-mails com o linguista Noam Chomsky. Em uma das conversas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi descrito como o “prisioneiro político mais importante do mundo”. As informações são do portal BBC, com base em documentos obtidos pelo The Wall Street Journal.
Os documentos, que incluem milhares de páginas de e-mails e agendas de 2013 a 2017, mostram que Epstein, condenado por crimes sexuais e morto em 2019, cultivava uma rede de contatos com figuras proeminentes. Ele usava essas conexões para reabilitar sua imagem pública.
As interações com Chomsky, intelectual de esquerda, pareciam ter como objetivo discutir temas acadêmicos e políticos. Chomsky, hoje com 94 anos, confirmou os encontros, afirmando que conheceu Epstein e que as conversas eram sobre assuntos que o interessavam.
Encontros e Voos Agendados
A agenda de Epstein registra um voo para Chomsky e sua esposa em 2015 para um jantar em sua casa em Manhattan. O evento contaria com outros acadêmicos, como o reitor do Bard College, Leon Botstein. Botstein confirmou sua presença em jantares na casa de Epstein.
Outro encontro agendado para o mesmo ano incluía o filósofo Daniel Dennett e o psicólogo Steven Pinker. Dennett afirmou não se lembrar do evento, enquanto Pinker disse que compareceu com sua esposa, mas nunca teve relações financeiras com Epstein.
Em um e-mail de 2015, Epstein pediu a Chomsky para provar que uma de suas ex-namoradas, Kathryn Villari, estava errada sobre uma questão linguística. Chomsky respondeu ao e-mail, mas declarou à reportagem não se lembrar da troca de mensagens.
A Menção a Lula
Em 2019, após a prisão de Lula no âmbito da Operação Lava Jato em 2018, Chomsky enviou um e-mail a Epstein. A mensagem encaminhada continha um artigo sobre o papel de Sergio Moro na prisão de Lula.
Epstein respondeu ao e-mail com o comentário: “o prisioneiro político mais importante do mundo”. Na época, Chomsky era um crítico da prisão de Lula e chegou a visitar o ex-presidente na carceragem da Polícia Federal em Curitiba.
A defesa de Lula sempre alegou que o processo foi parcial. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as condenações de Lula, considerando Moro parcial. Isso permitiu que Lula concorresse e vencesse as eleições de 2022.
Doações e Outros Brasileiros
Os documentos também mostram que Epstein atuou como intermediário para doações. Em 2014, ele facilitou uma doação de US$ 25 mil do físico Lawrence Krauss para Chomsky, destinada ao seu trabalho de linguística no Massachusetts Institute of Technology (MIT).
Chomsky afirmou que o dinheiro foi direcionado ao MIT e que, se a fonte fosse Epstein, teria sido um erro aceitar. Ele também disse que encontros com Epstein ocorreram após a condenação do financista em 2008 por crimes sexuais.
Outros brasileiros também aparecem nas agendas de Epstein. Nomes como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o ex-ministro Nelson Jobim, o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga e o empresário Horacio Lafer Piva constam nos registros para reuniões.
FHC e Fraga confirmaram encontros com Epstein, mas negaram qualquer relação próxima ou conhecimento de seus crimes. Jobim e Piva não responderam aos pedidos de comentário da reportagem original.
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