Epstein e Chomsky: emails citam Lula como 'prisioneiro político'

Emails revelam que o financista Jeffrey Epstein e o linguista Noam Chomsky discutiram a situação do então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2019. Na troca de mensagens, Chomsky referiu-se a Lula como o “prisioneiro político mais importante do mundo”.

A correspondência, datada de abril de 2019, foi obtida pelo The Wall Street Journal e compartilhada com a BBC. Na época, Lula cumpria pena em Curitiba por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, condenações posteriormente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Em uma das mensagens, Chomsky escreveu a Epstein sobre um artigo que detalhava a situação de Lula. Ele destacou a importância de uma petição pela liberdade do ex-presidente, que contava com sua assinatura e a de outras figuras, como o papa Francisco.

Os documentos também mostram a agenda de Chomsky com Epstein, incluindo um encontro em março de 2019. A reunião contaria com a presença de Leon Botstein, reitor do Bard College. O roteiro previa discussões sobre linguística, política e filosofia.

Em 2018, Chomsky já havia visitado Lula na prisão, em Curitiba. Publicamente, o linguista defendeu a inocência do político brasileiro, considerando sua prisão uma tentativa de removê-lo das eleições daquele ano.

Procurado pela BBC, Chomsky confirmou os encontros com Epstein. Ele afirmou que as conversas eram sobre temas políticos e acadêmicos. O linguista declarou que não tinha conhecimento das acusações de tráfico sexual contra Epstein na época.

Chomsky expressou arrependimento pelos encontros, afirmando que se soubesse dos fatos, não teria aceitado. Ele disse que os crimes de Epstein eram “um horror indescritível”.

Os emails também revelam a extensa rede de contatos de Epstein. Ele se conectou com figuras proeminentes da academia, política e negócios, mesmo após sua condenação em 2008 por solicitar prostituição de uma menor.

Joi Ito, ex-diretor do Media Lab do MIT, foi uma figura central na reabilitação da imagem de Epstein. Ito renunciou ao cargo em 2019 após a revelação de suas ligações financeiras com o financista.

As mensagens eram frequentemente gerenciadas por Kathryn Villari, assistente de Epstein. Ela organizava agendas e comunicações, incluindo os preparativos para os voos de Chomsky para encontros com Epstein.

Um dos emails mostra Epstein intermediando um pagamento de US$ 25.000 para o departamento de linguística da Universidade do Arizona, onde Chomsky lecionava. O valor foi doado por Leon Black, cofundador da Apollo Global Management.

Epstein também tentou se aproximar de outras personalidades, como Bill Gates e a banqueira Ariane de Rothschild. Os documentos indicam que ele usava sua rede para manter influência e acesso a círculos de poder.

O financista foi encontrado morto em sua cela em agosto de 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações federais de tráfico sexual de menores. Sua morte foi considerada suicídio.

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