Eólica Offshore: Brasil arrisca perder R$ 700 bi sem marco

O Brasil possui um potencial de R$ 700 bilhões em investimentos para projetos de energia eólica offshore. Contudo, a ausência de um marco regulatório claro coloca essa oportunidade em risco, com o país podendo perder projetos para vizinhos como Argentina e Chile.

Atualmente, existem cerca de 200 projetos de eólica em alto-mar em processo de licenciamento no Ibama. Juntos, eles somam uma capacidade de geração de 180 GW, um volume significativo que aguarda segurança jurídica para avançar, conforme detalhado em reportagem do portal NeoFeed.

Grandes empresas globais de energia já demonstraram interesse no mercado brasileiro. A Shell lidera com 17 GW em projetos protocolados. Em seguida, aparecem a Corio Generation, com 6 GW, e a TotalEnergies, com 9 GW.

Empresas estatais e com participação do governo também estão na corrida. A Petrobras tem planos para 23 GW, enquanto a norueguesa Equinor, que já atua no pré-sal, planeja 14 GW em capacidade instalada de eólica offshore.

Apesar do potencial, o Brasil ainda não possui capacidade instalada, enquanto o mundo já opera 75 GW em eólicas no mar. A aprovação do Projeto de Lei 576/2021, que cria o marco regulatório, é vista como crucial para destravar os investimentos.

Um exemplo concreto do investimento paralisado é o da Prumo Logística, controladora do Porto do Açu. A empresa planeja investir R$ 200 milhões em uma fábrica para componentes de torres eólicas, mas aguarda a definição das regras.

Segundo Mauro Andrade, diretor de desenvolvimento de negócios da Prumo Logística, a empresa está pronta para iniciar os aportes. O projeto da fábrica poderia gerar 1,5 mil empregos diretos e outros 3 mil indiretos na região.

Elbia Gannoum, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), reforça a urgência da regulamentação. Ela afirma que sem um marco legal, os investidores não têm a segurança necessária para tomar decisões finais de investimento.

O setor enfrenta também um “vento contra” no cenário global. Os principais fabricantes de turbinas eólicas, como a dinamarquesa Vestas e as europeias Siemens Gamesa e GE, enfrentam dificuldades financeiras.

Em 2022, a Vestas registrou um prejuízo de € 1,6 bilhão. No mesmo período, a Siemens Gamesa perdeu € 940 milhões, e a divisão de energia eólica da GE teve perdas de US$ 2,2 bilhões.

Esses desafios financeiros são reflexo do aumento dos custos de matéria-prima e logística, que pressionam as margens de lucro. O custo de uma turbina eólica é estimado em US$ 1 milhão por megawatt de capacidade.

Isso significa que uma única turbina de 15 MW, padrão para projetos offshore, pode custar US$ 15 milhões. A cadeia de suprimentos precisa de previsibilidade e escala para se viabilizar, algo que o marco regulatório poderia proporcionar.

Enquanto o Brasil debate suas regras, outros países da América do Sul avançam. A demora brasileira pode fazer com que os recursos e a atenção dos investidores se desloquem para mercados como Argentina e Chile, que se movimentam para atrair esses projetos.

A definição das regras do jogo é o passo fundamental para que o Brasil converta seu potencial eólico em energia e desenvolvimento econômico, evitando que os ventos favoráveis soprem em outra direção.

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