A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) traçou um plano para reduzir sua alavancagem financeira, um desafio histórico para a empresa. O objetivo é diminuir o indicador de dívida líquida sobre Ebitda de 3,19 vezes, registrado no primeiro trimestre, para um patamar inferior a 2,5 vezes até o final do ano.
A estratégia para atingir essa meta se baseia em três pilares principais. São eles: a geração de caixa com as operações, um programa de desinvestimentos e a aguardada oferta pública inicial de ações (IPO) da CSN Cimentos, segundo informações do portal NeoFeed.
Marcelo Cunha Ribeiro, CFO da CSN, afirmou que a companhia não depende de apenas um desses fatores para alcançar o objetivo. Ele destacou que a combinação dos três elementos torna o plano robusto e com alta probabilidade de execução, mesmo que um deles não se concretize totalmente.
O IPO da CSN Cimentos é uma peça central do plano. A empresa espera uma avaliação de aproximadamente R$ 30 bilhões para o ativo. A intenção é realizar uma oferta primária para levantar entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões, recursos que seriam direcionados para o caixa da cimenteira.
Essa avaliação posicionaria a CSN Cimentos próxima da Votorantim Cimentos, cujo valor de mercado é estimado em cerca de R$ 35 bilhões. A CSN já tentou abrir o capital da subsidiária em 2021, mas suspendeu a operação devido às condições de mercado.
O segundo pilar da estratégia é um programa de desinvestimentos que visa arrecadar cerca de R$ 1 bilhão. A companhia está avaliando a venda de ativos considerados não essenciais, como participações na Usiminas e na MRS Logística.
O presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, já havia indicado que a participação na Usiminas poderia ser vendida se o preço fosse adequado. A fatia da empresa na siderúrgica rival está avaliada em aproximadamente R$ 1,8 bilhão.
O terceiro componente do plano de desalavancagem é a geração de caixa operacional. A companhia projeta gerar cerca de R$ 11 bilhões em 2024, o que contribuiria significativamente para a redução da dívida.
Analistas de mercado receberam o plano com otimismo, mas mantêm cautela. O BTG Pactual, em relatório assinado por Leonardo Correa e Caio Greiner, classificou a meta como “crível”, mas ressaltou a dependência da execução, especialmente do IPO e dos preços do minério de ferro.
A XP também avaliou o plano como positivo. Os analistas Yuri Pereira, Thales Carmo e Matheus Moreira destacaram que, embora o caminho seja desafiador, a estratégia é clara e pode levar a uma reavaliação das ações da companhia se for bem-sucedida.
A dívida da CSN totalizava R$ 32,7 bilhões no final do primeiro trimestre. Desse montante, 85% está em dólar e 15% em reais. A empresa conseguiu reduzir seu endividamento em R$ 2,5 bilhões nos três primeiros meses do ano.
O perfil de vencimento da dívida está concentrado nos anos de 2026 e 2027. A companhia já iniciou o processo de refinanciamento, buscando estender os prazos e reduzir o custo do passivo, aproveitando uma melhora na percepção de risco.
Ribeiro mencionou que a CSN já possui caixa e linhas de crédito comprometidas para cobrir os vencimentos de 2024 e 2025. O foco agora é gerenciar os compromissos de 2026 em diante, com a expectativa de que a desalavancagem facilite esse processo.
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