Cidades petrolíferas na Venezuela, como Cabimas, Tía Juana e Lagunillas, enfrentam um colapso econômico e social. A queda na produção de petróleo transformou essas regiões em locais com ruas vazias e infraestrutura abandonada, segundo reportagem da BBC.
O estado de Zulia, historicamente o coração da indústria petrolífera venezuelana, vive uma profunda crise. A produção, que já foi robusta, diminuiu drasticamente, afetando diretamente a vida dos moradores. Muitos dependiam da estatal PDVSA.
Relatos de moradores descrevem um cenário de abandono. José, ex-funcionário do setor, hoje motorista de táxi, afirma que sua família de nove parentes deixou o país. Ele menciona que não se veem mais crianças nas ruas.
A crise levou a um êxodo em massa. Estima-se que mais de 7,7 milhões de venezuelanos deixaram o país nos últimos anos. Muitos buscam melhores condições de vida em outros lugares, fugindo da hiperinflação e da falta de serviços básicos.
A infraestrutura local reflete a decadência. Estradas estão esburacadas e edifícios da PDVSA, antes símbolos de prosperidade, estão em ruínas. A paisagem é marcada por poços de petróleo inativos e vazamentos constantes.
Moradores como David, que trabalha 12 horas por dia, ganham o equivalente a US$ 1 diário. Ele relata a dificuldade de sustentar sua família com uma renda tão baixa, uma realidade comum na região.
O declínio da indústria petrolífera começou antes das sanções dos EUA em 2019. A falta de investimento e manutenção já impactava a produção. As sanções, no entanto, agravaram a situação, dificultando a exportação.
Apesar do cenário, há uma expectativa ligada às eleições presidenciais de 28 de julho. A oposição, liderada por María Corina Machado e representada pelo candidato Edmundo González Urrutia, promete reativar o setor.
O plano da oposição inclui atrair investimentos privados para a PDVSA e outras áreas. A ideia é reverter o modelo de gestão estatal implementado durante o governo de Hugo Chávez, que nacionalizou diversos setores da economia.
Por outro lado, o governo de Nicolás Maduro também busca investimentos. Recentemente, a administração assinou acordos com a espanhola Repsol e a francesa Maurel & Prom, além de manter a parceria com a americana Chevron.
A população local, como um pescador que preferiu não se identificar, expressa esperança em uma mudança política. Ele acredita que uma vitória da oposição poderia trazer de volta os investimentos e a prosperidade para a região.
A situação dos trabalhadores da PDVSA também é crítica. Um engenheiro, que pediu anonimato, revelou que seu salário mensal é de aproximadamente US$ 150. Ele complementa a renda com trabalhos de reparo.
Este engenheiro relata que a empresa perdeu muitos profissionais qualificados. A falta de pessoal e de equipamentos adequados compromete a capacidade de produção e a segurança das operações.
A vida nas cidades da Costa Leste do Lago de Maracaibo mudou radicalmente. Onde antes havia cinemas, clubes e uma vida social ativa, hoje restam estruturas abandonadas e uma população envelhecida.
A esperança de muitos está atrelada ao resultado eleitoral e a uma possível mudança na política econômica do país. A reativação da indústria do petróleo é vista como a única saída para a crise que assola Zulia e toda a Venezuela.
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