Uma operação da Polícia Federal deflagrada em São Paulo deu novo fôlego à proposta de criação da CPI do Master. A investigação mira a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público da cidade.
A ação, batizada de Operação Fim da Linha, forneceu o “fato determinado” que faltava para justificar a abertura da comissão parlamentar de inquérito na Câmara Municipal. O objetivo é apurar a relação entre a prefeitura, empresas de ônibus e o crime organizado.
Operação Mira Lavagem de R$ 732 Milhões
A investigação é conduzida pela Polícia Federal em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
O foco da operação são as empresas de ônibus Transwolff e UPBus. As companhias são suspeitas de lavar dinheiro para o PCC, com movimentações que podem chegar a R$ 732 milhões desde 2014.
Foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 52 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o sequestro de bens avaliados em mais de R$ 600 milhões, além do afastamento dos diretores das empresas.
Com o afastamento da diretoria, a gestão das linhas operadas pelas duas concessionárias foi assumida pela SPTrans, empresa que gerencia o transporte público na capital paulista.
Contratos Bilionários com a Prefeitura
As empresas investigadas mantêm contratos significativos com a Prefeitura de São Paulo. Juntas, Transwolff e UPBus recebem mais de R$ 800 milhões por ano dos cofres públicos para operar linhas de ônibus na cidade.
A Transwolff atua na Zona Sul, enquanto a UPBus opera na Zona Leste. A suspeita é que a facção criminosa utilizava essas operações para dissimular recursos de origem ilícita, provenientes de atividades como tráfico de drogas e roubos.
A investigação aponta que o esquema criminoso não apenas lavava dinheiro, mas também se beneficiava de contratos públicos para expandir sua influência e capacidade financeira.
CPI do Master Ganha Força Política
A proposta de criação da CPI do Master é de autoria do vereador Rubinho Nunes (União Brasil). Ele busca investigar a “relação promíscua” entre o poder público municipal e as empresas de transporte concessionárias.
Segundo o vereador, a operação da PF confirma as suspeitas que motivaram o pedido de CPI. A ação policial serve como o elemento concreto necessário para legitimar a investigação parlamentar sobre os contratos de transporte.
Para que a CPI seja instalada, são necessárias 19 assinaturas de vereadores. Com a repercussão da operação, Rubinho Nunes acredita que conseguirá o apoio necessário para iniciar os trabalhos da comissão.
O principal alvo político da CPI é a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB). A investigação pretende esclarecer como empresas supostamente controladas pelo crime organizado conseguiram e mantiveram contratos milionários com a prefeitura.
A comissão buscará analisar a fundo os processos de licitação, a fiscalização dos contratos e a possível conivência de agentes públicos com as atividades ilícitas das concessionárias.
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