Doadores de 'Cop City': Coca-Cola e bancos sob pressão

Grandes corporações, incluindo Coca-Cola, UPS e Wells Fargo, enfrentam crescente pressão pública. O motivo é o apoio financeiro a um controverso centro de treinamento policial de US$ 90 milhões em Atlanta, EUA, após a morte de um manifestante no local.

O projeto, apelidado de “Cop City” por opositores, é impulsionado pela Atlanta Police Foundation. Esta fundação privada conta com doações de algumas das maiores empresas sediadas na cidade, como Home Depot, Delta Air Lines e Bank of America.

A controvérsia intensificou-se após a morte de Manuel Esteban Paez Terán, conhecido como Tortuguita, de 26 anos. Ele foi morto a tiros por policiais em 18 de janeiro durante uma operação para remover manifestantes que ocupavam a área da construção.

Ativistas do movimento “Stop Cop City” acampavam na floresta de South River para impedir o desmatamento de 34 hectares destinados ao complexo. A morte de Terán marcou uma reviravolta no debate, atraindo atenção nacional para o projeto e seus financiadores corporativos.

O Gabinete de Investigação da Geórgia (GBI) afirma que Terán atirou primeiro em um policial, sem aviso. A polícia não usava câmeras corporais. Ativistas contestam a versão oficial, citando uma autópsia independente que sugere que Terán estava sentado e com as mãos para o alto.

O novo centro de treinamento está planejado para incluir um campo de tiro, uma pista de direção e uma cidade cenográfica. O financiamento é misto: US$ 30 milhões viriam de contribuintes, enquanto o restante seria coberto pela Atlanta Police Foundation através de doações corporativas.

Segundo informações da BBC, o movimento de oposição argumenta que o centro aumentará a militarização da polícia e causará danos ambientais significativos. A área é considerada um dos “pulmões” de Atlanta.

A pressão sobre os doadores corporativos aumentou. Ativistas pedem que as empresas retirem seu apoio financeiro, ligando suas marcas à violência policial e à destruição ambiental. A morte de Terán tornou-se um ponto de inflexão para a campanha.

A família de Terán, que vivia na Flórida, descreve-o como um ambientalista pacifista. Belkis Terán, sua mãe, afirmou que ele “morreu com as botas calçadas, fazendo o que amava”. A família contesta a narrativa policial sobre o confronto.

A autópsia independente, solicitada pela família, revelou que Terán foi atingido por pelo menos 13 tiros. O médico legista do condado de DeKalb, que realizou o exame oficial, não divulgou publicamente os resultados completos, citando a investigação em andamento.

O incidente também levantou questões sobre o uso de acusações de “terrorismo doméstico” contra manifestantes. Desde dezembro, 19 ativistas foram presos sob essa acusação, uma lei estadual que pode levar a sentenças de até 35 anos de prisão.

Críticos, como Lauren Regan, diretora executiva do Civil Liberties Defense Center, veem as acusações como uma tentativa de reprimir a dissidência e intimidar o movimento. O caso coloca em evidência os riscos reputacionais para as empresas envolvidas no financiamento do projeto.

A Atlanta Police Foundation defende o centro como uma instalação essencial para melhorar o treinamento, o moral e a retenção de policiais. O ex-prefeito Keisha Lance Bottoms apoiou o projeto, citando um aumento na criminalidade como justificativa.

Apesar da defesa, a oposição local e nacional continua a crescer. O caso de Terán galvanizou ativistas e ampliou o escrutínio sobre o papel do capital privado no financiamento de projetos de segurança pública com alto custo social e ambiental.

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