Cidades petrolíferas venezuelanas, antes centros de prosperidade, hoje se assemelham a cenários de abandono. A queda da produção e as sanções internacionais paralisaram a economia local, deixando um rastro de desemprego e êxodo populacional, conforme detalha uma reportagem da BBC.
Em Cabimas, no estado de Zulia, o cenário é de decadência. Leida Angarita, moradora local, descreve a paisagem como um “cemitério de balancins”, referindo-se às bombas de petróleo inativas. A cidade, que já foi um polo da indústria, agora vê suas estruturas enferrujarem.
A produção de petróleo da Venezuela, que superava 3 milhões de barris diários há uma década, despencou. Atualmente, a produção gira em torno de 800 mil barris por dia. Esse colapso afetou diretamente a vida de milhares de trabalhadores e suas famílias.
O declínio da estatal PDVSA (Petróleos de Venezuela) é o epicentro da crise. A empresa, que já foi o motor da economia nacional, hoje opera com capacidade reduzida. A falta de investimento e manutenção acelerou a deterioração da infraestrutura petrolífera.
O impacto social é visível nas ruas vazias. “Você não vê crianças na rua. Eu morava com nove parentes, todos foram embora”, relata Angarita. O êxodo transformou bairros inteiros, com casas abandonadas e um silêncio que contrasta com o passado movimentado.
Valmore Argüello, ex-funcionário da PDVSA, é um exemplo da mudança drástica. Após 28 anos na empresa, ele agora sobrevive com uma pensão de US$ 3 e trabalhos informais. Ele recorda uma época em que a indústria garantia uma vida confortável para os trabalhadores.
A crise gerou uma economia paralela baseada na sucata. Ferros-velhos compram peças de metal retiradas das instalações abandonadas da PDVSA. Essa atividade, muitas vezes ilegal, reflete o desespero e a falta de alternativas econômicas na região.
A influência da política e das sanções
As sanções impostas pelos Estados Unidos são um fator central na crise. Muitos moradores, paradoxalmente, veem no ex-presidente Donald Trump uma esperança. Acreditam que seu retorno à presidência poderia levar a uma negociação para reativar a indústria.
Carlos Ocando, um ex-supervisor de perfuração, expressa essa visão. Ele acredita que Trump, como empresário, entenderia a necessidade de reativar os poços. “Ele viria como empresário, não como presidente, para reativar isso”, afirma Ocando.
O governo de Joe Biden, por sua vez, recentemente deixou expirar a Licença Geral 44. Essa licença permitia certas operações petrolíferas e de gás na Venezuela. Sua não renovação foi uma resposta à inabilitação de candidatos da oposição nas eleições.
A medida do governo Biden foi uma reação à decisão do Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela de manter a inabilitação de María Corina Machado, principal nome da oposição. O governo americano havia condicionado o alívio das sanções a garantias de eleições livres.
Apesar da esperança em Trump, a oposição venezuelana se unificou em torno de um candidato único para as eleições de 28 de julho. O diplomata Edmundo González Urrutia representa a coalizão, após a desistência de Manuel Rosales.
Para os habitantes de cidades como Cabimas, o futuro permanece incerto. A recuperação da indústria petrolífera, da qual dependem suas vidas, está atrelada a complexas negociações políticas internas e, principalmente, à política externa dos Estados Unidos.
A nostalgia de um passado próspero é constante. Argüello lembra que a Venezuela já foi chamada de “Venezuela saudita”. Hoje, a realidade é de abandono e de uma população que aguarda uma mudança, seja ela qual for, para reverter o colapso econômico e social.
📌 Leia mais: Veja mais notícias sobre tecnologia e mercado financeiro
📱 Siga o FintechNode no Instagram para não perder nenhuma novidade do mercado financeiro!