Cidades fantasmas: o colapso do petróleo na Venezuela

Cidades na Costa Oriental do Lago de Maracaibo, na Venezuela, que prosperaram com o petróleo, hoje se assemelham a cidades fantasmas. O colapso da estatal PDVSA e as sanções dos EUA esvaziaram a região, deixando um rastro de abandono e incerteza econômica.

Em Tia Juana, uma das cidades afetadas, casas que pertenciam a trabalhadores da indústria petrolífera estão vazias. Segundo uma reportagem da BBC, muitas residências foram saqueadas, restando apenas as estruturas.

José, um morador local, relata a partida de sua família. “Eu morava com nove parentes, todos foram embora”, afirmou. Ele aponta que o êxodo é tão grande que “você não vê crianças na rua”. Milhões de venezuelanos deixaram o país nos últimos anos.

A região já foi o coração da indústria petrolífera venezuelana. A PDVSA, durante décadas, foi uma das maiores empresas do setor no mundo. Os campos petrolíferos próximos ao Lago de Maracaibo eram extremamente produtivos.

Trabalhadores da estatal recebiam bons salários e benefícios, como moradia, saúde e educação. Luis, um ex-funcionário com 30 anos de serviço na PDVSA, lembra que a empresa cuidava de tudo, desde o nascimento até a morte dos empregados.

A situação mudou drasticamente. A produção de petróleo, que era a base da economia, entrou em colapso. A crise foi atribuída à má gestão, corrupção e, mais recentemente, às sanções impostas pelos Estados Unidos.

As sanções foram uma tentativa de pressionar o governo de Nicolás Maduro. No entanto, muitos moradores locais acreditam que as medidas agravaram a crise econômica, afetando diretamente a população e acelerando o declínio da indústria petrolífera.

Atualmente, a esperança de alguns residentes está depositada em um evento externo: as eleições presidenciais nos EUA. Eles acreditam que uma vitória de Donald Trump poderia levar ao alívio das sanções, reativando a economia local.

“Estamos esperando o plano de Trump”, disse um morador chamado Valmore. Ele e outros veem no ex-presidente americano a possibilidade de uma negociação que permita a retomada das operações petrolíferas por empresas estrangeiras.

Essa perspectiva se baseia na crença de que Trump, como empresário, estaria mais inclinado a negociar o acesso ao petróleo venezuelano. A política de sanções do atual presidente, Joe Biden, é vista por eles como ineficaz.

O governo Biden restabeleceu algumas sanções em abril, após acusar o governo Maduro de não cumprir acordos para eleições livres. A medida foi uma resposta à exclusão de candidatos da oposição, como María Corina Machado.

María, que trabalha em um pequeno restaurante, expressa ceticismo. Ela acredita que nem Trump nem a oposição venezuelana, representada por Edmundo González Urrutia, conseguirão resolver a crise rapidamente. “Isso não vai mudar da noite para o dia”, diz ela.

A economia local reflete o colapso. Em seu auge, um campo petrolífero próximo a Lagunillas chegou a ter 15 mil trabalhadores. Hoje, restam apenas cerca de 500, segundo um sindicalista local.

Muitos dos que ficaram sobrevivem com empregos informais ou com a ajuda de parentes que emigraram. Luis, o ex-funcionário da PDVSA, agora trabalha como taxista e complementa a renda com a venda de produtos de limpeza.

Sua aposentadoria, que já foi equivalente a mais de US$ 100 por mês, hoje não chega a US$ 30. A desvalorização da moeda e a hiperinflação corroeram o poder de compra da população.

A infraestrutura das cidades também está em ruínas. Apagões são constantes e o fornecimento de água é irregular. O cenário de abandono se estende por cidades como Ciudad Ojeda, Lagunillas e Bachaquero.

A incerteza política domina o futuro da região. Enquanto alguns moradores aguardam uma mudança vinda dos EUA, outros, como María, se preparam para um longo período de dificuldades, independentemente do resultado das eleições na Venezuela ou no exterior.

📌 Leia mais: Veja mais notícias sobre tecnologia e mercado financeiro


📱 Siga o FintechNode no Instagram para não perder nenhuma novidade do mercado financeiro!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

You May Also Like

Rio Open 2026: Musetti, Fonseca e despedida de Monfils

O Rio Open 2026 define seus destaques com Lorenzo Musetti como cabeça de chave 1, João Fonseca como 4 e a despedida de Gaël Monfils. Saiba mais.

Lula e Trump marcam reunião em Washington por telefone

Presidente Lula e ex-presidente Donald Trump agendam encontro em Washington após conversa telefônica. O encontro foi confirmado após o contato entre os líderes.

Trump Anuncia Acordo com Groenlândia; Otan Pede Esforços

Ex-presidente Trump anuncia acordo de “acesso total” com a Groenlândia, enquanto a Otan solicita que aliados intensifiquem seus esforços estratégicos.

Governo Lula: mensagem ao Congresso foca em pauta econômica

Mensagem presidencial de início do ano legislativo deve reforçar as prioridades do governo Lula, com foco na reforma tributária e no arcabouço fiscal. Saiba mais.