A eleição presidencial em Portugal, apesar da reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa, marcou a consolidação da direita radical no país. O candidato André Ventura, do partido Chega, obteve o terceiro lugar com 11,9% dos votos, um resultado considerado um trunfo para seu movimento político.
O presidente Marcelo Rebelo de Sousa foi reeleito no primeiro turno com 60,7% dos votos. A candidata socialista Ana Gomes ficou em segundo lugar, com 12,97%. André Ventura, com 496.661 votos, ficou em terceiro, superando candidatos de partidos tradicionais como o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português.
A eleição registrou a maior abstenção da história da democracia portuguesa, com uma participação de apenas 39,5% dos eleitores. O contexto da pandemia de covid-19 foi um fator determinante para a baixa adesão, conforme aponta a reportagem da BBC News Brasil.
Para analistas, o resultado de Ventura representa uma vitória simbólica. Ele conseguiu normalizar a presença da direita radical no debate público português, um país que, até recentemente, era uma exceção na Europa por não ter um partido com essa ideologia no Parlamento.
O partido Chega elegeu seu primeiro e único deputado, o próprio Ventura, nas eleições legislativas de 2019. Desde então, o partido tem crescido nas pesquisas de intenção de voto, saindo de cerca de 1% para uma faixa entre 6% e 7%.
André Ventura, de 38 anos, é professor de Direito e ficou conhecido como comentarista de futebol e de temas criminais na televisão. Ele iniciou sua carreira política no PSD (Partido Social Democrata), de centro-direita, mas desfiliou-se para fundar o Chega.
Sua plataforma é centrada em um discurso anticorrupção, antissistema e anti-imigração. Ventura ganhou notoriedade por declarações polêmicas, incluindo comentários considerados racistas contra a comunidade cigana, o que lhe rendeu uma condenação judicial e multa.
Segundo o cientista político António Costa Pinto, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, o resultado de Ventura quebra um “tabu” na política portuguesa. Ele afirma que o candidato conseguiu unificar o voto de protesto em Portugal.
Costa Pinto destaca que a estratégia de Ventura foi ocupar um espaço político vazio, atraindo eleitores descontentes que não se sentiam representados pelos partidos tradicionais. A votação expressiva valida essa estratégia e fortalece sua posição no cenário político.
Riccardo Marchi, pesquisador do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, também avalia o desempenho como uma vitória. Para ele, Ventura conseguiu se estabelecer como uma figura central na política nacional, superando a barreira da irrelevância.
Marchi explica que o Chega segue uma cartilha similar à de outros partidos da direita radical europeia. O partido foca em temas como segurança, imigração e críticas à classe política, buscando capitalizar a insatisfação popular com o sistema vigente.
A ascensão de Ventura é vista como um reflexo de uma tendência global. Ele próprio já se comparou a líderes como o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro e o político italiano Matteo Salvini, buscando se associar a essa onda internacional da direita.
O resultado das eleições presidenciais, portanto, não apenas reelegeu o atual presidente, mas também redesenhou o mapa da direita em Portugal. O Chega se firma como uma força política relevante, desafiando o tradicionalismo do espectro político português.
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