A articulação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para lançar seu filho, Jair Renan, como candidato em Santa Catarina está gerando reações e expondo divisões na base da direita local. A movimentação é vista como um desafio para lideranças estaduais do partido.
O plano envolve a possível candidatura de Jair Renan à prefeitura de Balneário Camboriú ou a uma vaga de vereador. Segundo o portal InfoMoney, a manobra colocou o governador Jorginho Mello (PL) e o senador Jorge Seif (PL) em uma posição delicada.
A visita de Bolsonaro ao estado para um evento do PL Mulher, presidido por Michelle Bolsonaro, serviu de palco para o lançamento político de seu filho. Jair Renan filiou-se ao PL catarinense em março e recentemente transferiu seu domicílio eleitoral para Balneário Camboriú.
O atual prefeito da cidade, Fabrício Oliveira (PL), já tem um pré-candidato à sua sucessão: o jornalista Peeter Lee Grando. A entrada de Jair Renan na disputa cria um impasse dentro do próprio partido, que agora pode ter dois nomes para o mesmo cargo.
Uma alternativa para Jair Renan seria concorrer por outra legenda. O presidente estadual do PTB, Kennedy Nunes, já ofereceu o partido para a candidatura. Nunes afirmou que Renan está “preparadíssimo” e que o sobrenome Bolsonaro “agrega muito”.
O senador Jorge Seif, um dos principais aliados de Bolsonaro no estado, expressou publicamente seu descontentamento. Ele afirmou não ter sido consultado sobre a articulação e alertou para o risco de divisão dos votos da direita, o que poderia beneficiar a esquerda.
Seif lembrou que em 2020, a pulverização de candidaturas de direita em cidades como Florianópolis e Joinville resultou na vitória de adversários. Para ele, a falta de unidade pode repetir o mesmo erro e levar a uma derrota desnecessária.
O governador Jorginho Mello, que também preside o PL em Santa Catarina, adota uma postura mais cautelosa. Ele tenta mediar o conflito, afirmando que o partido tomará a decisão, mas reconhece o peso do apoio do ex-presidente Bolsonaro a qualquer candidato.
Mello declarou que “quem o presidente Bolsonaro abraçar, tem uma grande chance de ser vitorioso”. Essa declaração indica a dificuldade em contrariar um desejo direto do maior líder do partido, mesmo que isso gere atritos internos.
A situação em Balneário Camboriú reflete um cenário mais amplo de disputas internas no bolsonarismo catarinense. Em Florianópolis, por exemplo, o PL também enfrenta uma divisão, com dois pré-candidatos disputando o apoio de Jorginho Mello e Jair Bolsonaro.
A movimentação de Jair Renan, que se mudou para Santa Catarina no final de 2023 para atuar no setor de mineração e construção, é vista por alguns analistas locais como uma candidatura “paraquedas”, imposta sem considerar as bases políticas já estabelecidas.
Enquanto o ex-presidente busca fortalecer sua família na política, as lideranças locais do PL em Santa Catarina precisam administrar as fissuras expostas. O desafio é manter a unidade do grupo para as eleições municipais de 2024 e evitar que as disputas internas comprometam o desempenho nas urnas.
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