O Bank of America (BofA) projeta que o Ibovespa pode atingir 187 mil pontos em um cenário otimista, um patamar que se aproxima de um “nível bolha”. A análise consta em relatório assinado por David Beker, chefe de Estratégia de Ações do banco.
O cenário base do BofA para o principal índice da bolsa brasileira é de 145 mil pontos ao final de 2024. Já a projeção pessimista, ou bear case, aponta para um recuo aos 120 mil pontos, segundo informações do portal InfoMoney.
Para que o Ibovespa alcance os 187 mil pontos, seria necessária uma queda dos juros nos EUA para 3%. No Brasil, a taxa Selic precisaria recuar para 7%, sem alterações na taxa de juros neutra de longo prazo.
Nessas condições, o múltiplo Preço/Lucro (P/L) do índice chegaria a 11,5 vezes. Este valor está dois desvios-padrão acima da média histórica, o que caracteriza, para o banco, um território próximo ao de uma bolha especulativa.
Atualmente, o Ibovespa opera com um P/L de 8,2 vezes, abaixo da média histórica de 11 vezes. O mercado, por sua vez, precifica uma taxa Selic em 9% para o final de 2024, um patamar superior ao do cenário otimista do banco.
A visão do BofA para o cenário base coincide com a de outra instituição. O J.P. Morgan também estabeleceu uma meta de 145 mil pontos para o Ibovespa, indicando um potencial de valorização ainda maior, para 158 mil pontos, caso os riscos globais diminuam.
Em termos de alocação, o Bank of America recomenda uma exposição acima da média (overweight) em setores específicos. A lista inclui Financeiro, Utilities (serviços públicos), Indústria com foco no mercado doméstico e o setor de Saúde.
Por outro lado, a instituição financeira sugere uma exposição abaixo da média (underweight) para o setor de Materiais Básicos. A recomendação reflete a visão do banco sobre as perspectivas para as commodities e empresas ligadas a elas.
Entre as ações individuais, o relatório do BofA destaca o Itaú Unibanco (ITUB4) como uma de suas principais escolhas no mercado brasileiro. O banco é um dos principais pesos do Ibovespa.
Apesar do otimismo, a análise aponta riscos relevantes no radar. Entre eles estão o cenário fiscal no Brasil, as tensões geopolíticas globais e a possibilidade de um “pouso forçado” (hard landing) na economia dos Estados Unidos.
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