O seguro auto pay-per-use, ou por quilômetro rodado, é um modelo de apólice onde o custo é dividido em uma parcela fixa mensal e uma variável, calculada com base na distância percorrida. Essa modalidade, impulsionada por insurtechs, é projetada para motoristas que utilizam o veículo de forma esporádica, oferecendo uma alternativa econômica às apólices tradicionais.
A tecnologia de telemetria é o pilar do sistema, monitorando o uso real do veículo para uma cobrança que reflete diretamente o risco assumido pela seguradora.
Como funciona o seguro auto por km na prática?
A operação do seguro auto por km depende da coleta de dados de uso do veículo. Diferente do modelo tradicional, que se baseia em estatísticas de perfil (idade, CEP, estado civil), o modelo pay-per-use foca no comportamento real do motorista. Isso é viabilizado pela telemetria.
A telemetria é a tecnologia que transmite dados do veículo remotamente. As insurtechs no Brasil utilizam duas abordagens principais para essa coleta:
- Dispositivo OBD-II (On-Board Diagnostics): Um pequeno aparelho que o próprio segurado conecta na porta de diagnóstico do carro, geralmente localizada abaixo do volante. Ele coleta dados precisos de quilometragem, aceleração, frenagem e curvas.
- Aplicativo no Smartphone: Utiliza o GPS e os sensores do celular do motorista para rastrear as viagens. É uma solução de menor custo e mais fácil de implementar, mas pode ter a precisão afetada pela bateria do aparelho ou perda de sinal.
Os dados coletados são enviados para os servidores da seguradora, que calculam o valor variável da mensalidade. O faturamento é simples: uma assinatura fixa, que cobre os custos básicos da apólice (cobertura contra roubo, furto, assistência 24h), somada a um valor por quilômetro rodado. Se o carro não sai da garagem, o motorista paga apenas a taxa fixa.
Análise de Custo: Quando o Seguro Pay-Per-Use é Vantajoso?
A viabilidade financeira do seguro pay-per-use está diretamente ligada ao padrão de uso do veículo. O modelo não é universalmente mais barato; ele é cirúrgico para um perfil específico de consumidor. O ponto de equilíbrio geralmente ocorre quando a quilometragem mensal é consistentemente baixa.
Dados do setor de insurtech brasil indicam que motoristas com rodagem inferior a 700 km mensais podem obter economias que variam de 30% a 50% em comparação com apólices convencionais de mesma cobertura. Isso torna o modelo extremamente competitivo para:
- Profissionais em home office: Que usam o carro primariamente para atividades pontuais ou de lazer nos fins de semana.
- Proprietários de um segundo veículo: O carro que fica mais tempo na garagem passa a ter um custo de seguro proporcional ao seu baixo uso.
- Usuários de transporte público ou por aplicativo: Que mantêm o carro como uma conveniência, não como principal meio de locomoção.
Para calcular o ponto de inflexão, o motorista deve comparar o custo total anual de uma apólice tradicional com a soma da assinatura fixa anual do pay-per-use mais o custo variável projetado para sua média de quilometragem. Se você roda mais de 1.200 km por mês, a previsibilidade de custo de uma apólice tradicional tende a ser mais vantajosa.
Privacidade e Dados: O Trade-off da Telemetria
A implementação de um sistema de telemetria levanta questões sobre privacidade de dados. As seguradoras coletam informações detalhadas sobre onde, quando e como um veículo é utilizado. Isso inclui rotas, horários de deslocamento e padrões de condução.
As empresas que operam no Brasil precisam estar em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Isso significa que devem ser transparentes sobre quais dados são coletados, para qual finalidade e obter consentimento explícito do usuário. Os dados de localização e condução são considerados sensíveis e devem ser anonimizados e criptografados.
O trade-off para o consumidor é claro: fornecer dados de uso em troca de um preço potencialmente mais justo e personalizado. No futuro, esses dados podem ser usados para oferecer benefícios adicionais, como descontos por direção segura (um modelo conhecido como Usage-Based Insurance ou UBI), gamificação e alertas de manutenção preditiva.
Limitações e Pontos de Atenção no Modelo “Liga Desliga”
Apesar dos benefícios, o modelo de seguro liga desliga ou por uso apresenta pontos que exigem atenção antes da contratação. A cobertura, por exemplo, precisa ser analisada com cuidado. Geralmente, a proteção básica (roubo, furto, incêndio) está sempre ativa, 24 horas por dia, mesmo com o carro parado. A cobertura para colisão e danos a terceiros, no entanto, pode estar vinculada ao ato de “ligar” a proteção via app antes de iniciar uma viagem.
Outro ponto é a variabilidade de custos. Em um mês atípico com uma longa viagem de férias, o custo do seguro pode superar o de uma apólice tradicional. Algumas seguradoras estabelecem um teto de cobrança para a quilometragem, transformando o valor em um custo fixo após um certo limite para mitigar essa imprevisibilidade.
A decisão final passa por uma análise honesta do seu padrão de uso. Para o motorista de fim de semana ou que trabalha de casa, a economia é clara e o modelo se alinha perfeitamente às suas necessidades. Para quem depende do carro diariamente para longos trajetos, o seguro tradicional ainda oferece uma previsibilidade de custo que pode ser mais adequada.
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