O Brasil necessita de investimentos que somam R$ 200 bilhões para revitalizar e expandir sua malha ferroviária. O setor, atualmente dominado por grandes concessões, explora o modelo de shortlines (trechos curtos) como uma alternativa para conectar novas áreas produtivas aos trilhos principais.
Atualmente, o transporte ferroviário representa 21,5% da matriz logística do país. O Plano Nacional de Logística projeta que essa participação alcance 40% até 2035, um objetivo ambicioso que depende da modernização e ampliação da rede existente, conforme detalha uma reportagem do portal NeoFeed.
O país possui 42 mil quilômetros de ferrovias, mas apenas 10 mil quilômetros são efetivamente utilizados. A maior parte da malha está sob controle de concessionárias como MRS Logística, Rumo e VLI, que focam em corredores de exportação de alto volume.
Guilherme Penin, diretor de Relações Institucionais da MRS, afirma que a empresa está investindo R$ 11 bilhões como parte da renovação de sua concessão. O plano visa aumentar a capacidade de transporte de 240 milhões de toneladas para 400 milhões de toneladas.
O Marco Legal das Ferrovias, sancionado em 2021, introduziu o modelo de autorização, simplificando a entrada de novos operadores. Desde então, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) recebeu 86 pedidos, que somam 22 mil quilômetros de novos trechos e R$ 240 bilhões em investimentos projetados.
Fernando Paes, diretor-geral da ANTT, observa que muitos desses projetos ainda precisam de comprovação de viabilidade. Para ele, o modelo de shortlines, focado em trechos menores e mais ágeis, surge como uma solução mais pragmática para expandir a malha.
As shortlines funcionam como ramais que conectam centros de produção ou consumo à malha principal. Nos Estados Unidos, esse modelo já é consolidado, com mais de 600 empresas operando cerca de 30% da malha ferroviária do país.
No Brasil, a VLI e a Rumo já estão explorando essa oportunidade. Jean Alberto Luscher, diretor de Novos Negócios da VLI, revelou que a companhia estuda 15 projetos de shortlines. A Rumo, por sua vez, analisa outros 10 projetos.
Um estudo da consultoria Inter.B, em parceria com a Abifer, identificou 66 trechos com potencial para se tornarem shortlines. Esses projetos poderiam adicionar 10 mil quilômetros à rede e demandariam um investimento de R$ 45 bilhões.
Vicente Abate, presidente da Abifer, destaca que esses ramais curtos são essenciais para integrar regiões produtoras que hoje dependem exclusivamente do transporte rodoviário. O modelo permite que as grandes concessionárias se concentrem nos corredores principais.
Davi Barreto, diretor-presidente da EPL, a estatal de planejamento logístico, ressalta que o governo apoia o modelo. Ele menciona que o poder público pode ajudar a estruturar projetos, mas o financiamento deve vir, majoritariamente, da iniciativa privada.
O desafio para a consolidação das shortlines no Brasil envolve a regulamentação do direito de passagem. É crucial garantir que os operadores de trechos curtos possam acessar a malha principal das grandes concessionárias de forma justa e competitiva.
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