Davos: Ameaça de ordem mundial baseada na força cresce

A transição de uma ordem internacional baseada em regras para uma baseada na força foi um tema central no Fórum Econômico Mundial em Davos. A análise é de Celso de Pastre, que aponta para o fim da globalização como a conhecemos.

Segundo artigo publicado no portal NeoFeed, o otimismo do pós-Guerra Fria deu lugar a um cenário de confronto. O “momento unipolar” dos EUA acabou, e potências revisionistas como China e Rússia desafiam a ordem vigente.

O Global Risks Report 2023, do próprio Fórum Econômico Mundial (WEF), destaca a “confrontação geoeconômica” como um dos principais riscos. Este cenário ameaça a cooperação global em questões urgentes, como as mudanças climáticas.

A ordem liberal, estabelecida após a Segunda Guerra, se baseava em instituições como BIRD, FMI e OMC. O objetivo era promover a paz através da prosperidade e interdependência econômica, com os EUA garantindo a segurança global.

Contudo, essa estrutura está sendo erodida. A Rússia utiliza a força militar na Ucrânia, enquanto a China exerce seu poder no Mar do Sul da China e em relação a Taiwan. Os EUA, por sua vez, utilizam seu poderio econômico como arma.

Fragmentação e Política Industrial

A nova realidade geopolítica está fragmentando a economia mundial. A interdependência, antes vista como fonte de paz, agora é percebida como uma vulnerabilidade estratégica. Isso impulsiona movimentos de reshoring, friend-shoring e near-shoring.

Cadeias de suprimentos globais estão sendo redesenhadas com base em alinhamentos geopolíticos. A eficiência econômica cede espaço para a segurança e a resiliência, mesmo que isso signifique custos mais altos e menor produtividade.

O retorno da política industrial é outra consequência direta. Governos estão intervindo massivamente na economia para garantir a segurança de setores estratégicos, como semicondutores e energia limpa.

Exemplos notáveis são o CHIPS Act e o Inflation Reduction Act nos EUA. Essas legislações buscam fortalecer a indústria local e reduzir a dependência de nações consideradas rivais, especialmente a China.

Essa abordagem, chamada de “weaponization” da política econômica, usa sanções, tarifas e controle de exportações como ferramentas de poder. A interdependência econômica tornou-se um campo de batalha.

O Desafio para o Brasil

Nesse cenário de polarização, o Brasil enfrenta um grande desafio. A política externa histórica do país, o “Pragmatismo Responsável”, buscava autonomia sem alinhamentos automáticos, mantendo boas relações com todas as potências.

Essa estratégia permitiu ao Brasil navegar em um mundo menos conflituoso. Agora, a crescente rivalidade entre EUA e China, os dois maiores parceiros comerciais do país, pressiona por um posicionamento mais claro.

A neutralidade se torna cada vez mais difícil de sustentar. O governo Lula tem sinalizado a intenção de manter a política pragmática, como indicado por declarações do ex-chanceler Celso Amorim.

No entanto, a complexidade do novo tabuleiro global exige uma estratégia bem definida. Segundo Pastre, o Brasil precisa de um projeto nacional claro para se posicionar de forma vantajosa nesta nova ordem mundial.

A ausência de uma estratégia coerente pode deixar o país à mercê das disputas entre as grandes potências. A adaptação à era da confrontação geoeconômica é um imperativo para o futuro do desenvolvimento brasileiro.

📌 Leia mais: Veja mais notícias sobre tecnologia e mercado financeiro


📱 Siga o FintechNode no Instagram para não perder nenhuma novidade do mercado financeiro!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

You May Also Like

Ações da Zions atingem mínima de 52 semanas a US$ 19,67

Ações da Zions Bancorporation despencam e atingem o menor valor em 52 semanas, sendo negociadas a US$ 19,67. Veja os detalhes do desempenho do ativo.

Fintechs em 2026: A Disputa na 1ª Semana do Ano

A primeira semana de 2026 revela a dinâmica da competição entre fintechs no Brasil. Veja quem lidera em aquisição de clientes e inovação.

BC: Picchetti, crítico da Faria Lima, é indicado por Lula

Saiba quem é Paulo Picchetti, o professor da FGV indicado por Lula para a diretoria do Banco Central e conhecido por suas críticas à política de juros.

STF: 8 ministros têm parentes com 138 processos na Corte

Levantamento aponta que oito dos onze ministros do STF possuem parentes advogados com atuação na Corte. Veja os detalhes dos 138 casos analisados.