Gigantes asiáticos do e-commerce, como Shein e AliExpress, enfrentam os desafios do chamado “Custo Brasil” para manter sua expansão. Após um rápido crescimento, a complexidade logística e tributária do país se tornou um obstáculo significativo para suas operações.
Inicialmente, essas empresas ganharam mercado rapidamente, afetando varejistas tradicionais como C&A, Renner e Riachuelo. A competição agora se estende a players digitais como Dafiti e Posthaus, segundo aponta o portal NeoFeed.
O modelo de negócio cross-border, que depende de envios internacionais, provou-se insustentável no Brasil. Alberto Serrentino, da consultoria Varese Retail, afirma que a operação puramente internacional “não para de pé” no mercado brasileiro devido às suas particularidades.
Para superar esses desafios, as empresas estão adaptando suas estratégias. A Shein, por exemplo, busca nacionalizar sua produção. A meta da companhia é que, até 2026, 83% de suas vendas no Brasil sejam de produtos fabricados por parceiros locais.
Além da produção local, a Shein também explora o varejo físico. A marca tem investido na abertura de lojas pop-up, de caráter temporário, para fortalecer sua presença e se aproximar dos consumidores brasileiros.
O AliExpress, do grupo Alibaba, foca na melhoria da logística. A empresa anunciou um investimento de R$ 200 milhões para otimizar suas operações, visando reduzir os prazos de entrega e aprimorar a experiência do cliente no país.
Já a Shopee adota uma estratégia de fortalecer sua base de vendedores locais. Ao priorizar parceiros brasileiros, a plataforma consegue contornar parte da complexidade logística e tributária associada às importações diretas.
A questão tributária é um dos principais componentes do “Custo Brasil”. As importações enfrentam uma alíquota de 60% de imposto de importação, além do ICMS. Recentemente, discute-se a criação de um novo imposto federal de 20%.
O programa Remessa Conforme, do governo federal, oferece isenção de ICMS para compras de até US$ 50. Em troca, as empresas precisam fornecer informações detalhadas sobre as transações, o que aumenta a transparência fiscal.
A conclusão do mercado é que, para prosperar, essas gigantes internacionais precisam operar cada vez mais como empresas brasileiras. Isso implica em enfrentar os mesmos desafios de logística, burocracia e carga tributária que as companhias nacionais já conhecem.
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