Um estádio de futebol no interior de São Paulo tornou-se um dos símbolos da crise envolvendo a gestora Reag. O ativo, avaliado em R$ 200 milhões, compõe a carteira de fundos da empresa e ilustra as práticas de avaliação questionadas pelo mercado.
Trata-se do Estádio Municipal Walter Ribeiro, conhecido como CIC, localizado em Sorocaba. Com capacidade para 14.780 pessoas, o local é a casa do Esporte Clube São Bento e do Clube Atlético Sorocaba, atualmente licenciado.
O estádio é um dos principais ativos do Fundo de Investimento em Participações (FIP) Novas Arenas. Este fundo é gerido pela Reag e tem suas cotas investidas por outros fundos da própria gestora, criando uma estrutura de investimento interligada.
A operação foi estruturada por meio da Sociedade de Propósito Específico (SPE) Novas Arenas. A SPE detém a concessão da prefeitura de Sorocaba para explorar comercialmente o estádio por um período de 30 anos, conforme detalha o portal NeoFeed.
A avaliação de R$ 200 milhões atribuída ao ativo foi realizada pela consultoria WHG. Este valor é um dos pontos de atenção, dado o contexto de questionamentos sobre as avaliações de ativos nos fundos da Reag, conhecidas no jargão do mercado como “marcas na carteira”.
A situação da gestora, comandada por João Carlos Mansur, ganhou notoriedade após uma série de reportagens apontarem supostas irregularidades. A controvérsia gira em torno de laudos considerados frágeis para ativos de baixa liquidez, como o estádio em Sorocaba.
O FIP Novas Arenas, por exemplo, possui cotas em fundos como o Reag Crédito Estruturado e o Reag Multiestratégia. Essa estrutura de “fundo de fundos” concentra o risco e a exposição ao mesmo ativo subjacente, o estádio.
O estádio de Sorocaba exemplifica o tipo de ativo ilíquido que compõe parte significativa do portfólio da Reag. A dificuldade em vender um ativo como este a curto prazo gera incertezas sobre o valor real e a capacidade de honrar resgates de cotistas.
A crise na Reag levantou um debate no mercado financeiro sobre a transparência e os métodos de avaliação de ativos alternativos. O caso do estádio serve como um estudo prático dos riscos envolvidos em estruturas de investimento complexas e com ativos de difícil precificação.
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