Greg Abel enfrenta crise de US$ 30 bi na Berkshire Hathaway

Greg Abel, sucessor designado de Warren Buffett, enfrenta o desafio de gerenciar uma crise bilionária na Berkshire Hathaway. A tarefa envolve resolver um passivo potencial de US$ 30 bilhões relacionado a incêndios florestais, um raro problema para a holding.

A questão central está na PacifiCorp, uma subsidiária da Berkshire Hathaway Energy (BHE). A empresa de serviços públicos é alvo de processos judiciais por sua suposta responsabilidade em incêndios devastadores ocorridos em Oregon e na Califórnia nos anos de 2020 e 2022.

Em sua carta anual aos acionistas, Warren Buffett abordou o problema, descrevendo-o como uma questão difícil para a PacifiCorp administrar. Ele admitiu que o custo final do passivo ainda é desconhecido e representa um grande desafio financeiro para a subsidiária.

Buffett alertou para o risco de “lucratividade zero ou mesmo falência” para concessionárias de energia que operam em estados propensos a incêndios. Ele criticou o ambiente regulatório que, em sua visão, não permite um retorno justo sobre o capital investido diante dos novos riscos climáticos.

O impacto financeiro já é visível nos resultados da BHE. No quarto trimestre de 2023, o lucro da divisão de energia caiu 82%, para US$ 143 milhões. Apesar disso, a BHE contribuiu com US$ 2,3 bilhões para o lucro operacional da Berkshire Hathaway no ano.

A Berkshire Hathaway, com um valor de mercado de US$ 870 bilhões, possui uma robusta posição de caixa de US$ 167,6 bilhões. Essa solidez financeira permite que a holding absorva o impacto sem grandes abalos, conforme aponta o portal NeoFeed.

A responsabilidade de navegar por essa crise recai sobre Greg Abel. Além de ser o sucessor de Buffett no comando da holding, ele também é o CEO da Berkshire Hathaway Energy, o que o coloca no centro da gestão do problema da PacifiCorp.

Este episódio é visto como um teste significativo para a liderança de Abel. Ele precisa demonstrar sua capacidade de gerir uma das maiores crises operacionais e financeiras da história recente da companhia, um legado complexo deixado por um dos maiores investidores do mundo.

A situação da PacifiCorp contrasta com o histórico de sucesso de Buffett em investimentos de longo prazo, como na Apple. O caso expõe as vulnerabilidades de investir em setores altamente regulados, que por décadas foram uma aposta segura para a Berkshire Hathaway.

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