A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), comandada por Benjamin Steinbruch, traçou um plano claro para atacar seu principal desafio histórico: a alta alavancagem financeira. A meta é reduzir o indicador de dívida líquida sobre Ebitda para um patamar abaixo de 2,5 vezes.
Atualmente, a alavancagem da companhia está em 3,27 vezes, um nível que preocupa investidores e analistas de mercado. Para atingir o objetivo, a estratégia central envolve a venda de ativos considerados não essenciais para a operação principal do grupo.
Apesar de uma forte geração de caixa, a gestão da CSN entende que a aceleração da desalavancagem é crucial. A queda nos preços do minério de ferro adiciona uma camada de urgência a essa movimentação estratégica, que foi detalhada durante o investor day da empresa.
A Estratégia de Desinvestimento
Três ativos principais estão na mira para desinvestimento, cada um com suas particularidades. O mais complexo deles é a participação de 14,9% que a CSN detém na sua concorrente, a Usiminas. A venda deste ativo é vista como um grande desafio.
A dificuldade reside no acordo de acionistas da Usiminas. A venda da participação da CSN precisa do aval da Ternium, que detém o controle do bloco de controle. Historicamente, a Ternium vê essa participação como uma “poison pill“, dificultando qualquer negociação.
Outro ativo relevante no plano é o TECAR, terminal de contêineres localizado no porto de Itaguaí (RJ). Considerado um ativo de alta qualidade e estratégico, sua avaliação de mercado varia entre R$ 3 bilhões e R$ 5 bilhões, segundo informações apuradas pelo portal NeoFeed.
O terceiro pilar do plano de desinvestimento é a CSN Cimentos. Após o adiamento de seu IPO (Oferta Pública Inicial), a companhia agora avalia a venda de uma fatia minoritária do negócio através de uma transação privada, buscando um sócio estratégico para a operação.
Análise de Mercado e Perspectivas
O mercado financeiro reagiu ao plano com otimismo, mas também com cautela. Em relatório, analistas do BTG Pactual classificaram a estratégia como positiva, destacando que a redução da alavancagem é o principal gatilho para a valorização das ações da CSN (CSNA3).
No entanto, o banco de investimentos ressalta os obstáculos. A venda da participação na Usiminas é vista como a mais improvável de se concretizar no curto prazo, devido às complexidades já mencionadas com o grupo Ternium.
Por outro lado, a venda do TECAR é considerada mais factível. O ativo desperta interesse no mercado por sua qualidade e localização estratégica, o que poderia facilitar uma negociação e trazer um volume significativo de recursos para o caixa da CSN.
A combinação de uma geração de caixa robusta com a execução bem-sucedida de ao menos parte desse plano de desinvestimento é o caminho que a CSN pretende seguir. O objetivo final é fortalecer sua estrutura de capital e tranquilizar o mercado quanto à sua saúde financeira.
A disciplina na alocação de capital e o foco na redução do endividamento são as mensagens que Benjamin Steinbruch busca reforçar. O sucesso dessa empreitada será fundamental para o desempenho futuro da companhia na bolsa de valores.
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