Reag: BC decreta liquidação de gestora do 'caso Master'

O Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial da Reag Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM), em uma decisão de forte impacto no mercado. A medida, oficializada na última sexta-feira, 17 de maio, atinge a gestora que se tornou peça central nas investigações do “caso Master”.

O ato do BC foi motivado por “graves violações às normas legais e regulamentares” que regem o sistema financeiro. A autoridade monetária também destacou o “comprometimento da situação econômico-financeira” e operacional da instituição como fatores decisivos para a intervenção.

Como resultado direto da liquidação, todas as atividades da Reag DTVM foram paralisadas. A medida também impõe a indisponibilidade dos bens dos administradores e ex-administradores da empresa, bloqueando seu patrimônio. O BC nomeou Klaus duly de Lavor como liquidante para administrar a massa falida.

A Conexão com o “Caso Master”

A Reag Investimentos, liderada por seu fundador João Carlos Mansur, acumulou nos últimos anos um histórico de envolvimento em operações financeiras de alta complexidade e controvérsia. O “caso Master” é o mais emblemático e expôs a gestora a um intenso escrutínio.

A gestora figura como ré em uma ação judicial de grande vulto movida pela Americanas. A varejista, que está em recuperação judicial, cobra uma dívida de R$ 1,2 bilhão. O montante está ligado a um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) que esteve sob a administração da Reag.

Este fundo, conhecido como FIDC Master e posteriormente rebatizado como FIDC Private Equity, é o pivô do escândalo. Investigações apontam que seus ativos foram artificialmente inflados, o que mascarou a real situação financeira e levou a perdas massivas para seus investidores.

Entre os prejudicados estão diversos fundos de pensão, que alocaram recursos significativos no FIDC acreditando em sua solidez. A Reag assumiu a gestão do fundo em 2022, sucedendo outras administradoras como a Planner e a Lumina Capital, de Daniel Goldberg.

A crise se tornou pública quando, sob a gestão da Reag, os ativos do fundo, que chegaram a ser avaliados em R$ 2,4 bilhões, foram reavaliados e marcados a zero. Essa reavaliação drástica confirmou a perda total do capital investido por muitos cotistas.

Outras Controvérsias e a Defesa da Gestora

O “caso Master” não é o único ponto de atrito na trajetória da Reag. A gestora também esteve à frente do FIP LPar, um fundo de investimento em participações que tem entre seus cotistas o ex-ministro da Economia, Paulo Guedes.

O FIP LPar também enfrentou sérios problemas, especialmente com debêntures da petroleira Enauta que entraram em default (inadimplência). A Reag assumiu a gestão do fundo em um momento já delicado, herdando os desafios relacionados a esses ativos.

Diante da decisão do Banco Central, a Reag Investimentos se posicionou de forma contundente. Em nota oficial, a empresa classificou o ato de liquidação como “arbitrário e ilegal”, sinalizando que buscará reverter a medida na Justiça.

A defesa da gestora se baseia na alegação de que possui uma “sólida posição financeira e de liquidez”. A Reag argumenta que a intervenção do BC é desproporcional e desconsidera as informações e os esclarecimentos prestados ao longo do processo administrativo.

A liquidação extrajudicial é um dos instrumentos mais severos à disposição do BC, reservado para casos de insolvência ou de graves irregularidades que coloquem em risco a estabilidade do sistema financeiro e os credores da instituição.

O processo agora entra em uma nova fase sob a condução do liquidante, que será responsável por apurar os ativos e passivos da Reag DTVM para tentar ressarcir os credores na medida do possível.

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