A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga abusos em empréstimos para beneficiários do INSS ouvirá o banqueiro Daniel Vorcaro, de 39 anos. Ele é o acionista controlador do Banco Master, instituição que teve um crescimento expressivo no mercado de crédito consignado.
A convocação, aprovada em 22 de maio, busca esclarecimentos sobre as práticas do banco. A CPMI quer entender como a instituição se tornou um dos maiores operadores de crédito consignado do país em um curto período, conforme detalhado em um relatório da BBC Brasil.
O Banco Master, antigo Banco Máxima, estava em dificuldades financeiras até ser adquirido por Vorcaro em 2018. Desde então, sua carteira de crédito saltou de R$ 150 milhões para quase R$ 20 bilhões em 2024, com o número de funcionários passando de 30 para 4.500.
O lucro líquido da instituição em 2023 atingiu R$ 544 milhões. A expansão incluiu a aquisição de empresas como o Will Bank, o correspondente bancário Kovac, a empresa de câmbio Voguia e a seguradora Travel Ace. A revista Forbes estima o patrimônio de Vorcaro em R$ 6 bilhões.
O mercado de crédito consignado para beneficiários do INSS movimenta cerca de R$ 660 bilhões. Atualmente, existem 86 milhões de contratos ativos entre os 39 milhões de aposentados e pensionistas, indicando que muitos possuem mais de um empréstimo.
Parlamentares da CPMI, como o presidente Augusto Coutinho (Republicanos-PE) e o relator Ricardo Silva (PSD-SP), investigam práticas de assédio comercial e a oferta de juros elevados. Eles querem que Vorcaro detalhe as estratégias de crescimento do Banco Master.
Uma das principais questões é a alta taxa de juros praticada. O teto atual para o consignado do INSS é de 1,68% ao mês. Dados do Banco Central de abril mostram que a taxa média do Banco Master era de 1,66% ao mês, muito próxima do limite máximo.
Outro ponto de atenção é o volume de reclamações. Em 2023, o Banco Master registrou 13.064 queixas no portal Consumidor.gov.br, ocupando o 4º lugar entre as instituições mais reclamadas. As queixas incluem alegações de cobrança por serviços não contratados e portabilidade de crédito não solicitada.
A defesa do banco afirma que o crescimento foi orgânico e por meio de aquisições. Sobre as reclamações, argumenta que o número é pequeno em proporção ao volume de 100 mil operações diárias e que investe em tecnologia para coibir fraudes e assédio.
O Banco Master também informou ter criado o Instituto de Prevenção e Acompanhamento de Dívidas e Assédio ao Consumidor (Ipadac). A instituição afirma que atua em conformidade com as regulações do Banco Central e da Febraban.
A CPMI também deve questionar Vorcaro sobre suas relações políticas. Ele foi sócio do ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho, em uma empresa de energia. O ministro é irmão do governador do Pará, Helder Barbalho, e filho do senador Jader Barbalho.
A sociedade foi desfeita antes de Jader Filho assumir o ministério. Em nota, o ministro afirmou que a participação na empresa foi declarada e que não há conflito de interesses. O Banco Master declarou que a relação foi estritamente empresarial e pontual.
A data para o depoimento de Daniel Vorcaro na CPMI ainda não foi definida. A comissão busca entender se o rápido crescimento do banco está associado a práticas comerciais consideradas abusivas contra aposentados e pensionistas do INSS.
📌 Leia mais: Veja mais notícias sobre tecnologia e mercado financeiro
📱 Siga o FintechNode no Instagram para não perder nenhuma novidade do mercado financeiro!