Epstein no Brasil: Concurso de moda era fachada para rede

Documentos e depoimentos indicam que o financista americano Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais, operou uma rede de recrutamento de mulheres no Brasil nos anos 1990. A estrutura envolvia concursos de moda, uma agência e uma revista de circulação nacional.

A investigação, detalhada em reportagem da BBC, aponta que as operações eram lideradas por Jean-Luc Brunel, agente de modelos francês e associado de Epstein. Brunel se suicidou na prisão em 2022, enquanto aguardava julgamento por estupro de menores.

A principal porta de entrada para a rede no Brasil era o concurso “Face of the 90’s”, promovido pela agência de modelos MC2, de Brunel. O evento prometia contratos internacionais e uma carreira de sucesso para jovens aspirantes a modelo.

Uma das vítimas, que usou o pseudônimo “Lúcia”, relatou ter sido abordada aos 16 anos em um shopping. Ela foi convidada a participar do concurso, que tinha como prêmio uma viagem a Paris e um contrato com a agência de Brunel.

Lúcia afirma que foi levada para Paris, onde foi coagida por Brunel a ter relações sexuais. Posteriormente, foi enviada a Nova York para encontrar Epstein. Ela descreve ter sido abusada por ambos em diversas ocasiões.

A estrutura no Brasil também incluía a revista “Tops”, que circulou entre 1997 e 1998. A publicação era uma ferramenta para divulgar os concursos e atrair mais jovens, apresentando um estilo de vida luxuoso associado à carreira de modelo internacional.

A revista era editada por Edgardo Gomes, fotógrafo e diretor da MC2 no Brasil. Gomes negou ter conhecimento das atividades criminosas e afirmou que sua relação com Brunel era estritamente profissional, focada em descobrir novos talentos.

Outro concurso utilizado pela rede era o “Look of the Year”, criado por John Casablancas, fundador da Elite Model. A MC2 de Brunel se tornou parceira do evento, ampliando seu alcance para recrutar jovens em todo o país.

Documentos judiciais dos EUA, incluindo o “livro negro” de Epstein, continham contatos de figuras influentes no Brasil. Entre eles, políticos, empresários e socialites, embora não haja provas de que soubessem ou participassem dos crimes.

Ghislaine Maxwell, ex-namorada e cúmplice de Epstein, também esteve no Brasil. Ela foi fotografada em eventos de moda e festas, reforçando as conexões da rede com a elite local. Maxwell cumpre pena de 20 anos de prisão nos EUA.

Virginia Giuffre, uma das principais acusadoras de Epstein, mencionou em seus depoimentos ter conhecido brasileiras na ilha particular do financista, a Little St. James. Ela descreveu as jovens como sendo muito novas e sem falar inglês.

Apesar das evidências e da condenação de Epstein em 2019, não houve uma investigação formal sobre suas atividades no Brasil. O Ministério Público Federal informou que não poderia comentar casos específicos sob sigilo.

Especialistas em direito internacional apontam a dificuldade de investigar crimes ocorridos há décadas, especialmente quando os principais acusados, Epstein e Brunel, estão mortos. A cooperação jurídica entre países também é um processo complexo.

O caso expõe a vulnerabilidade de jovens que sonham com a carreira de modelo. As promessas de fama e sucesso eram usadas como isca para uma rede internacional de exploração sexual, que teve no Brasil um de seus principais polos de recrutamento.

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