Trump quer 'exorcizar' China da América Latina, diz Duque

O ex-presidente da Colômbia, Iván Duque, afirmou que um eventual retorno de Donald Trump à presidência dos EUA pode levar a uma tentativa de ‘exorcizar’ a presença chinesa na América Latina, uma abordagem que ele considera equivocada para a região.

Em entrevista à BBC News Brasil, Duque, que governou a Colômbia de 2018 a 2022 e foi um aliado de Trump, criticou a visão de que a influência da China é necessariamente negativa.

Ele argumenta que a América Latina não deve ser forçada a escolher entre os Estados Unidos e a China. Para ele, a presença chinesa é uma realidade comercial e de investimento que deve ser administrada, não combatida.

Duque defende que a melhor estratégia para os EUA não é o confronto, mas sim fortalecer os laços econômicos com os países latino-americanos através do friendshoring ou nearshoring, transferindo cadeias de produção para nações aliadas.

Essa política criaria um bloco econômico ocidental mais robusto e integrado. A China tornou-se um parceiro comercial crucial e grande investidor em infraestrutura na região, por meio de iniciativas como a “Belt and Road” (Nova Rota da Seda).

Segundo Duque, a ideia de ‘exorcizar’ essa influência ignora a importância econômica que a China adquiriu. Ele descreveu a presença chinesa como uma ‘presença positiva’ em muitos aspectos, que não pode ser simplesmente ignorada.

O ex-presidente colombiano também criticou a atual administração de Joe Biden. Ele aponta a falta de uma política econômica clara e de longo prazo para a região, o que abre espaço para o avanço chinês.

Duque mencionou a iniciativa “Build Back Better World” (B3W) como um exemplo de projeto americano que não se materializou de forma eficaz, em contraste com os investimentos tangíveis oferecidos pela China.

Para ele, enquanto a China oferece projetos concretos, os EUA apresentam planos que muitas vezes não saem do papel. Essa diferença de abordagem, segundo ele, é fundamental para entender o cenário atual.

A proposta de Duque é que os EUA utilizem o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para financiar projetos e fortalecer a integração econômica no continente, oferecendo uma alternativa real aos investimentos chineses.

Ele acredita que a América Latina pode ser a solução para desafios estratégicos americanos. Isso inclui a segurança das cadeias de suprimentos, a transição energética e a segurança alimentar do país.

Ao investir na região, os EUA não apenas conteriam a influência chinesa de forma construtiva, mas também resolveriam seus próprios problemas econômicos e de segurança, fortalecendo todo o hemisfério.

Duque enfatizou que transformar a América Latina em um campo de batalha geopolítico entre as duas superpotências seria o ‘pior dos mundos’ para os países da região, que buscam desenvolvimento e estabilidade.

A visão do ex-presidente é de uma América Latina próspera e integrada ao mercado norte-americano. Ele vê isso como a melhor defesa contra influências externas consideradas adversas, sem necessidade de uma política de exclusão.

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